<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781</id><updated>2012-02-01T10:17:36.668-08:00</updated><title type='text'>Blog de Fábio Soldá</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-769337575856366390</id><published>2012-02-01T10:12:00.000-08:00</published><updated>2012-02-01T10:17:36.673-08:00</updated><title type='text'>Os Anos da Adolescência e da Juventude</title><content type='html'>É provável que, para todas as pessoas, não importa o quão bem sucedidos estejamos em determinada fase da vida. Dificilmente experimentaremos emoções tão intensas como durante os nossos anos de juventude, geralmente a fase que vai entre os 12 e 18 anos. Emoções essas que podem ser boas ou ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência diz que essa é a fase em que os hormônios estão a todo vapor. O esoterismo diz que é a época em que nasce o nosso corpo de desejos (ou &lt;i&gt;kâma rupa&lt;/i&gt;, como chama a Sociedade Teosófica). Seja lá qual for a causa, é notável que essa fase marca a nossa vida de uma maneira muito mais intensa do que qualquer outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era adolescente, o Brasil e o mundo passavam por momentos de transição. Era o ano de 1994 e o Brasil era ainda uma democracia recente. Fernando Collor, primeiro presidente eleito após a os "anos de chumbo" do Regime Militar - havia sido deposto por causa da corrupção e foi sucedido pelo seu vice Itamar Franco. O Plano Real estava em desenvolvimento, e aquilo alterou profundamente a maneira como lidávamos com o dinheiro; antes estávamos acostumados com a hiperinflação, e agora passávamos a ter uma moeda estável e forte, quase em paridade com o dólar. Isso valeu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que era à época ministro de Itamar Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo, vivia-se o pós-Guerra Fria. A União Soviética e a Iugoslávia se esfacelavam em vários países que se tornaram, em sua maioria, economias de mercado - apesar de à época não terem ainda a importância dos países da Europa Ocidental, dos EUA e mesmo de alguns países da Ásia. E continuam ainda sem essa importância, muito embora as condições sociais de alguns desses países tenham melhorado muito ao longo dos anos. Surgiam blocos econômicos como a União Europeia, o NAFTA e o Mercosul, do qual fazia parte o Brasil. E finalmente a Internet começava a sair das universidades e centros de pesquisa para se tornar um meio de comunicação, comércio e entretenimento para grandes empresas e para simples mortais, como eu, que agora tinham uma janela de comunicação para o mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época em que eu vivi a fase da adolescência. Parece que de um dia para outro, deixei de ser meramente uma pessoa ascética que vivia dentro de casa, escrevendo rascunhos de partitura, desenhando mapas, tentando fazer programas de computador no velho IBM PC-XT monocromático que eu tinha na época, ou mesmo caminhando pela rua e imaginando como seria legal um mundo onde eu pudesse publicar todas as ideias que eu tinha e fazer com que o mundo todo tivesse acesso. Eu percebi que necessitava ter contato social com outras pessoas e passei a sentir desejo por mulheres. Não que eu não me imaginasse antes casando ou constituindo uma família, mas eu pensava nas mulheres somente por esse ângulo. Às vezes eu dizia que "gostava" de uma menina por ela ser bonita, mas era algo totalmente sem malícia. Mas isso de uma hora para outra mudou. Em um momento, eu e todos os meninos na puberdade - exceto os homossexuais - passamos a sentir desejo de ter contato físico com as meninas. Olhamos algumas e o coração parece bater mais forte. E em determinado momento, fantasiamos coisas eróticas com qualquer menina, não importa o quão feia ou desinteressante ela seja; sendo mulher, está valendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri bullying, como muitas pessoas da minha idade. Sem saber como lidar com isso, eu me exasperava, cobrava respeito de todos e muitas vezes batia. Sentia-me envergonhado na presença de outras meninas. Tendo vivido sob uma educação religiosa, eu não tinha meios de lidar com essas coisas; era como se ao memso tempo um "anjinho" ou um "diabinho" falassem ao mesmo tempo no meu ouvido e eu ficava perdido, sem saber para que lado ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 13 anos mudei de colégio. Lá as salas eram pequenas; a minha era composta por 15 alunos - sendo 13 deles homens e a maioria deles rebeldes, bagunceiros, e alguns metidos a valentões. Como aluno, eu não era nem o melhor, nem um dos piores. Ia muito bem em disciplinas como Português, Inglês, História, Geografia; tive um desempenho mediano em Matemática (e muitas rusgas com o professor, que era às vezes desequilibrado), e era um desastre em Desenho Geométrico, sendo a disciplina responsável por ter me deixado de recuperação na sétima e na oitava séries - que equivalem à oitava e nona, nos dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, ganhei no Natal, de presente, um novo computador. Era um PC 486, rodando Windows 95 - avançadíssimo, para a época. Fiquei empolgadíssimo, explorando todos os recursos que haviam, mais as BBSs, mais a Internet - que era por linha telefônica, na época, e só tive acesso efetivo um ano depois. Foi algo fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei no colegial, em 1997 - eu tinha 15 anos - permaneci ainda naquele colégio, mas a turma agora era muito maior. Eram 40 alunos na sala de aula, e mulheres aos montes. Cada uma mais linda e encantadora que a outra. Às vezes um simples sorriso de uma fazia com que eu passasse semanas inteiras sonhando com ela, enquanto eu nunca tomava atitude alguma e sentia-me incomodado com os vários casais na porta do colégio trocando beijos de maneira indiscreta, como se estivessem na intimidade dos seus lares. Ao mesmo tempo também travei amizade com alguns rapazes, que permanecem meus amigos até hoje. Eu lia nos jornais as notícias dos bilionários que a indústria de Tecnologia da Informação formava e muitos eram jovens, e tentei arrumar uma forma de conseguir também entrar nessa onda com outros colegas. O colegial era técnico em Processamento de Dados, mas era orientado de maneira inadequada, mais voltado para aplicações comerciais e menos para o conhecimento profundo da máquina. Achávamos - erradamente - que Visual Basic e Delphi eram o máximo de avanço na tecnologia da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira se formavam as panelinhas na sala do colegial. Eu e mais alguns amigos só conversando sobre informática, tecnologia e como ganhar dinheiro com isso. A turma do fundão (que incluía meninos e meninas) só preocupada em tagarelar e fazer bagunça durante a aula. E ainda as patricinhas que só conversavam futilidades e raramente tiravam mais que cinco numa prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época esperávamos ardentemente pela época de férias, ora ansiosos, ora neuróticos por causa do boletim. Eu, especialmente, ficava num estado de neurose que colocava todos à minha volta nessa situação, especialmente minha mãe. No fim de ano, aquele mesmo ritual de sempre: o coral da minha mãe se apresentando na igreja do Pátio do Colégio, os presentes de Natal que eram geralmente alguma quinquilharia tecnológica (nada parecido com os tablets e smartphones de hoje em dia), e as viagens de fim de ano. Normalmente passávamos o Natal na casa de uns parentes meus no litoral sul de São Paulo, e em 1998 passei com meus pais e minha irmã o início do ano em cidades do Sul do Brasil. Para quem, como eu, &amp;nbsp;mal conhecia o Estado de São Paulo e era grande admirador da cultura europeia, essa viagem foi a glória. Visitamos Curitiba, Blumenau, Pomerode e Florianópolis. Eu achava o máximo andar por aquelas ruas e ouvir as pessoas conversando em alemão e aquelas charmosas casas em estilo enxaimel, ou &lt;i&gt;Fachwerk&lt;/i&gt;, como chamam na Alemanha. O mesmo em relação às praias verdes cristalinas de Florianópolis, ao impressionante urbanismo de Curitiba... tudo era novidade para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta às aulas, nova ansiedade. Quem iria cair na minha turma? Como seriam os novos alunos? E os professores, será que haveria alguns novos? Eu ia para o segundo colegial. O vestibular estava se aproximando. Eu pensava no futuro e meus olhos brilhavam. Eu ainda nada havia construído, mas a esperança pelos dias melhores, isso ninguém tirava de mim. O que eu estaria fazendo dali a 10 anos? Seria um compositor famoso, apresentando obras no mundo inteiro? Iria eu desenvolver algum software revolucionário? Tudo isso eram possibilidades que me animavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como eu já citei no último conto que eu escrevi, "As Espirais da Vida", as alegrias e tristezas sempre se sucedem &lt;i&gt;ad infinitum&lt;/i&gt; na nossa vida, e eu naturalmente não escapei. Fui diagnosticado com câncer. E era um tipo de câncer raro, o sarcoma de Ewing, que teve que ser extirpado e me deixou deficiente. Mas o pior de tudo isso foi o longo tratamento de quimioterapia a que tive de me submeter. Perdi todo o cabelo, emagreci, empalideci, e vi meus familiares em estado de choque. Para piorar, meu avô ainda morreu menos de um mês depois da cirurgia. Eu me curei totalmente, e superar isso só foi possível graças à minha forte religiosidade e minha fé em Cristo, na qual eu me apegava para superar. Cristo lutou contra as tentações, superou a morte, e eu como cristão sentia que deveria seguir o mesmo exemplo. Não poderia eu entregar a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do tratamento, eu respirava aliviado, e podia recomeçar a minha vida de onde parei. Prestei vestibular para Ciência da Computação, fui aprovado na PUC-SP e no Mackenzie, e decepcionado com o curso acabei indo para Administração de Empresas, também na PUC-SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí por diante, minha vida se seguiu com o mesmo ciclo de alegrias e tristezas. O início da faculdade, o primeiro beijo, o primeiro emprego, a primeira viagem para o exterior - primeiro para a Argentina, depois para a Europa - o primeiro carro... todas essas coisas &amp;nbsp;aconteceram na minha vida depois da adolescência, e eu tentei aproveitar cada momento desses como se eu fosse ainda jovem. Mas já não tinha mais o mesmo gosto de antes. Não que eu não me alegrava; é óbvio que essas coisas deixam qualquer um alegres, mas já temos depois dos 20 anos a mente refreadora, a capacidade de discernimento. Da mesma maneira, momentos tristes apareceram, como o longo período em que fiquei desempregado, as traições que sofri de outras namoradas, alguns episódios familiares críticos, perda de parentes que eram muito queridos, e não me desesperei; não achei que era o fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou com 30 anos de idade. Estou mais amadurecido, continuo com os mesmos amigos dos meus tempos de adolescência e criei outros novos, trabalho numa multinacional, namoro há quatro anos e faço planos para casar num futuro próximo. Posso dizer que estou bem de vida, e conscientemente numa situação muito melhor que em qualquer outra época da vida. Tenho uma vida tranquila e estável, continuo escrevendo minhas músicas, e já tive peças executadas no exterior. Mas não acho mais essas coisas "o máximo", não tem mais a mesma graça de antes. O que por um lado é bom, pois também encaramos as dificuldades - que fatalmente irão aparecer na nossa vida, queiramos ou não - com mais maturidade, com mais força. Afinal é sempre muito menos dolorido cair do sexto andar para o quinto do que cair do décimo para o térreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendemos também que não nascemos para ser felizes, e sim para adquirir experiências. As experiências más servem para que aprendamos o que não devemos fazer. As experiências boas servem para nos induzir a procurar sempre o caminho da retidão e do bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-769337575856366390?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/769337575856366390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=769337575856366390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/769337575856366390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/769337575856366390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2012/02/os-anos-da-adolescencia.html' title='Os Anos da Adolescência e da Juventude'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-4910957045720336273</id><published>2011-11-21T15:56:00.001-08:00</published><updated>2012-01-10T08:43:08.095-08:00</updated><title type='text'>As Espirais da Vida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="western"&gt;Era uma vez um rapaz chamado Eduardo Rantanen.Morava em São Paulo, no bairro de Perdizes. Era de uma típicafamília da classe média paulistana, salvo pela sua origem familiarpouco comum na cidade: sua família por parte de mãe era oriunda daMalásia, enquanto seus avós paternos eram da Finlândia; partiramainda meninos da pequena cidade de Savonlinna para Resende, no Rio deJaneiro, e anos depois se radicaram em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Tinha 23 anos, praticava musculação epassava boa parte do tempo livre no computador ou jogando videogame,ou pintando quadros – o que era seu hobby e lhe rendia um bomdinheiro. Estava cursando o penúltimo ano de Engenharia de Produçãono Instituto Mauá. Era amante das artes plásticas e gostava deouvir rock, jazz e música clássica; mas o que mais gostava de fazerera passar horas a fio diante da tela do computador, ora programando,ora discutindo assuntos em fóruns na Internet, ora jogando. Tinha a pele clara, olhos amendoados (herança do fenótipo malaio de sua mãe), cabelos lisos castanhos escuros e usava óculos. Apesar de ter o corpo em forma, não fazia muito sucesso com as garotas. Tal como seu ídolo EdgardDegas, sentia-se atraído por várias, mas não se aproximava delastemendo ser desprezado; e pintava quadros com os rostos das mulheresque admirava, acentuando os traços que lhes chamava mais à atenção.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Sua irmã mais velha, Vívian, era ooposto. Não achava a menor graça em computadores, e ia todos ossábados para as baladas com amigas, fosse para dançar, beijardesconhecidos sem compromisso ou mesmo para beber. Tinha seu próprio automóvel, usava roupas degrife e procurava andar sempre na moda. Era formada em hotelaria e turismo, e trabalhava &amp;nbsp;como consultora numa agência de viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Vivian e Eduardo viviam às turras. Ele, dizendo aela que não tinha cultura, nem procurava adquirir. Ela, dizendo aele que parecia um velho e não sabia aproveitar direito a vida. Asbrigas entre eles aconteciam muitas vezes por coisas banais, comoobjetos fora do lugar no quarto de um ou de outro, ou brigas por causa de música. Casoshouve em que, enquanto Vívian ouvia música sertaneja na sala, Eduardo ligava o som de seu quarto noúltimo volume tocando rock pesado, irritando não só Vívian mas também os demais vizinhos doedifício onde viviam.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A situação entre eles começou a se complicarseriamente quando Vivian conheceu Vanderkléberson. Apresentado poruma amiga do trabalho, Vanderkléberson era torcedor fanático doCorinthians, desses de participar de torcidas organizadas e muitasvezes se envolver em confusões até com a polícia, tinha a línguapresa e falava com muitos erros de português (“menas” e“pobrema” eram constantes), e era militante ativo do PT. Tinha um Fusca cheio de adesivos políticos de "Agora é Lula" e de estrelas vermelhas com o número 13. Seu modode vida era, assim, totalmente diferente do da família Rantanen;porém não era uma má pessoa. Estudava, trabalhava, e nunca foivisto com qualquer tipo de droga. Vívian se apaixonara loucamentepor ele. Naturalmente houve uma reação por parte de seus pais, quepouco falaram com Vanderkléberson, mas já não gostavam dele peloseu estilo de vida. Começaram a namorar, e em todo fim de semanaestavam os dois grudados, ou em casa, ou em algum bar, fazendo algumpagode com grupos de amigos que iam até 20 pessoas, regados a muitacerveja e churrasco. E em todas as vezes em que Vanderklébersonchegava em casa de mãos dadas com Vívian, vestindo a indefectívelcamisa do Corinthians e o boné de aba reta ao contrário, erarecebido com frieza pelos Rantanen. Eduardo e Vanderkléberson eramum o extremo avesso do outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O fim de ano se aproximava. Marcelo e Brígida,pais de Eduardo e Vívian, faziam bodas de prata e planejavam passaro réveillon com toda a família num resort em Balneário Camboriú, no litoralcatarinense. Vívian queria passar o réveillon com Vanderklébersone sua turma de amigos na Praia Grande, mas seus pais não permitiam.E também não davam motivo. Não aprovavam o namoro, não gostavamde Vanderkléberson, e quando questionados, diziam simplesmente:“você não vai porque eu não quero”. Sem discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Era o dia 20 de dezembro. Marcelo e Brígidavoltavam do shopping com as compras para o natal e ao chegarem emcasa, depararam-se com um bilhete escrito por Vívian, afixado àporta, que dizia: “Queridos pais, fui à Praia Grande com o Vanderkléberson e vou passar o fim de ano com ele. Mandem e-mails; qualquer coisa eurespondo. Beijos, Vívian”.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Marcelo se revoltou. Eduardo chegou em casa logoem seguida e viu Brígida chorando e Marcelo espumando de ódio.Intrigado, perguntou-lhes o que acontecia. Marcelo lhe mostrou obilhete. Atônito, tentou contornar a situação, mas Marcelo sódizia: “Da minha casa só se sai uma única vez”. A reação imediata de Marcelo foi de ligar para o celular de Vívian. Caía na caixa postal. Tentaram o de Vanderkléberson, e Vívian atendeu. Seguiu-se o diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Por que você me desobedeceu? Eu disse para você que eu não queria que você saísse de casa!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Pai, eu já tenho 25 anos. Já sou formada, tenho meu emprego, e na minha vida mando eu. Vocês não queriam que eu fosse de jeito nenhum. O Vanderkléberson passou em casa e me pegou. E eu vim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Pois se você não voltar hoje para casa, não quero nunca mais vê-la aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;— Tudo bem. Então vou morar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desligou o telefone.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Brígida e Eduardo ficaram chocados com o diálogo. Eduardo ligou novamente, implorando para Vívian rever sua opinião,mas ela se mostrava irredutível. Por ainda dois dias, Brígidanão parava de chorar e Marcelo só falava palavras de consternação,perguntando-se toda hora onde havia errado como pai. E Eduardoresolveu dar um basta. Disse-lhes:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&amp;nbsp;— Somos uma família cristã. E Cristo nos ensinou a perdoar e tolerar o próximo. Se com qualquer um já devemos fazer isso, imagine com um filho, sangue do nosso sangue! Deus nos mandou a Vívian para viver conosco e nós temos um dever com ela. Ela já tem 25 anos e tem suas vontades e desejos; impedi-la vai ser inútil. Que ela vai namorar esse rapaz, ela vai. Independentemente da nossa vontade. Ou aceitamos isso por bem, ou vamos ter a Vívian nos odiando infinitamente. Queremos isso?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Marcelo e Brígida se entreolharam. Esperavam queEduardo colocasse ainda mais lenha na fogueira, devido ao difícilrelacionamento entre ele e Vívian. Mas ele se mostrou compreensivo,e disposto a aceitar a sua irmã novamente em casa, a qualquer custo.Marcelo não deu o braço a torcer inicialmente, mas no dia seguintepediu a Eduardo que trouxesse sua irmã de volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Chegou o dia 23 de dezembro. Antevéspera denatal. Eduardo foi logo cedo até a estação Barra Funda do metrôreceber sua irmã - ela tomara antes o ônibus para São Paulo - e antes de irem para casa, Eduardo a chamou paratomar um café no shopping West Plaza, lá nas cercanias. Ficaramconversando até o fim da tarde. Vivian disse que Eduardo e seus paistinham preconceito contra ele. Vanderkléberson era honesto,trabalhador e não usava drogas, só tinha um estilo de vidadiferente. Eduardo entendia, e lhe disse que esse não é o problemareal, mas o fato de ela ter desprezado os pais para ficar com ele.Isso deixou Marcelo e Brígida muito abalados. Brígida só chorava odia todo, e Marcelo não conseguia se concentrar no trabalho. Foiquando Vívian se deu conta que agiu com irresponsabilidade, edecidiu então romper com Vanderkléberson. Sem ressentimentos. Masela chegou à conclusão que não poderia criar uma guerra em suaprópria família.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Foram, então, ambos para casa. Brígida recebeuVívian de braços abertos, e ambas choravam muito. Marcelo decidiuconversar com Vívian, pediu desculpas, e disse que será maisflexível com ela. E tudo se resolveu: no dia seguinte, véspera deNatal, fizeram uma festa junto com seus avós e tios, trocarampresentes, e no dia seguinte tomaram o avião até Navegantes, deonde seguiriam para Balneário Camboriú, onde passaram a virada doano. Como estava planejado no início. Esse pesadelo chegara ao fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Nove meses se passaram. Eduardo já se aproximavado fim do curso e foi com alguns amigos para uma festa com estudantesde outras faculdades. Sentado à mesa com uns amigos, estava do ladode uma mesa onde só havia meninas. Eram estudantes de design de modada FAAP. Uma delas não parava de olhar para Eduardo, mas ele não sedava conta; estava muito concentrado com seus amigos falando sobrevideogames e computadores. Um de seus amigos deu um toque para ele edisse-lhe:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&amp;nbsp;— Edu, na mesa aí do lado tem uma “mina” que não para de olhar para você.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo olhou para o lado. Fixou os olhos numamenina com mechas loiras, olhos cor de mel, com piercing numa dasaletas do nariz e uma tatuagem com caracteres chineses à mostra,próxima do umbigo. Tinha o corpo malhado e vestia-se com roupas curtas: apenas um shortinho jeans e uma miniblusa. Tinha os cabelos soltos, mas ornados com umafaixinha magenta sobre a cabeça. E ela piscou para Eduardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo sentiu imediatamente seu coração batermais forte. Saiu da mesa e foi conversar com a referida menina:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp;Moça, permite conversar com você um minutinho&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Qual o seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Larissa. E o seu?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eu me chamo Eduardo. Onde você estuda?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Estou fazendo design de moda na FAAP. Você também é da FAAP?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Não, sou da Mauá... e, diga-me uma coisa... você namora?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eu não, por quê? Você tem namorada?&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Não, não! Quer dizer... não, não tenho... eu na verdade nunca namorei.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Não acredito! Você nunca procurou?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bom, não é que eu nunca tenha procurado... mas não vamos falar disso. Será que eu poderia pegar seu MSN?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Larissa, então, sacou da bolsa um papelzinho emarcou seu endereço. Eduardo guardou o papel e prometeu adicioná-lano dia seguinte. Este foi o curto diálogo entre eles; Eduardo estavasem jeito, não sabia como dar procedimento. E não tinha coragem decontinuar conversando com ela ali. Temia que ela o beijasse, emboraestivesse morrendo de vontade que isso acontecesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;No fim da festa, Eduardo voltou para casa,pensando em Larissa. Não conseguia tirá-la da cabeça por nada.Acordou no dia seguinte às oito horas e ficou o tempo inteiroabrindo a janela do MSN para ver se Larissa ficava online. Quando ela seconectou, ele sentiu seu coração acelerar. E trocaram mensagensdurante toda a manhã. Marcaram, então, um novo encontro para o diaseguinte. Larissa morava em São Caetano do Sul, e por isso decidiramse encontrar às portas do shopping Central Plaza, na Vila Prudente,bairro paulistano próximo a São Caetano.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Houve, então, o encontro entre ambos. Apósalguns minutos de conversa, Larissa o beijou. De súbito. Sem queEduardo pudesse esboçar qualquer reação. Era o primeiro beijo deEduardo, embora ele não confessasse isso, e estava definitivamenteapaixonado. Não parou por aí: Larissa propôs de irem ao cinema, ea sessão estava praticamente vazia. E ela, aproveitando-se daescuridão do local, praticou atos libidinosos com Eduardo. Ele foi ao delírio.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Chegou o fim do dia e Eduardo voltou para casa,completamente apaixonado e transtornado. Sentia suas mãos e pernastrêmulas e seu coração palpitando. Marcelo e Brígida perguntaramse estava tudo bem, e ele dizia que sim, mas não queria contardetalhes do encontro com Larissa. Agora ele sentia o drama: nãoimporta quem seja a outra pessoa, quando uma paixão vem na nossavida, é impossível controlá-la. Por algum tempo, Eduardo e Larissa viveram uma tórrida relação, e foi com ela que ele perdeu a virgindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Ocorre, entretanto, que Larissa fazia isso comtodos os homens. Ela gostava de provocá-los, deixá-los perdidamenteapaixonados e depois largá-los. Com Eduardo não foi diferente. Umdia, Eduardo foi de surpresa até a casa de Larissa e a viu aosbeijos com outro homem. Seguiu-se o diálogo:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Larissa! Por que você está com ele, e não comigo?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Ah, Eduardo, você é muito inocente. Não sabe que hoje em dia ninguém mais é propriedade de ninguém?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Mas nós estávamos namorando! Você me traiu!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; E você acreditou? Ah, Eduardo, me poupe... você era virgem, só fica falando de assuntos que dão sono, passa mais tempo pintando e jogando videogame do que outra coisa, acha mesmo que alguma garota vai querer ser sua namorada? Fala sério!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Essas palavras caíram como um trovão paraEduardo. Sem ter como contra-argumentar, ficou arrasado. Voltou paracasa deprimido e passou dias a fio sem vontade de conversar comninguém. Estava prestes a terminar a faculdade, mas nada mais lheempolgava. Desistiu de fazer festa de formatura. Só pensava no quevivera com Larissa, e no fora que recebeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Após a conclusão da faculdade, Eduardo ficouseis meses sem qualquer atividade. Estava desempregado, não estudavapara concursos, e tampouco se inscrevia para programas de trainee.Até que Marcelo conversou muito seriamente com ele, dizendo que eleprecisava tocar a sua vida independentemente do que tenha acontecido.Larissa já se fora havia seis meses, provavelmente sequer selembrava dele, e ele atrasando sua vida por conta dela. Essa situaçãoestava insustentável.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo, então, começou a se inscrever emprogramas de trainee, e estudar para concursos públicos. Participoude várias provas e dinâmicas. Foi reprovado na maioria dasdinâmicas e ficou na lista de espera dos concursos, o que lheaumentava ainda mais a ansiedade. Essa situação perdurou por maisde um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Até que, finalmente, chegou o que ele tantoesperava: foi aceito para uma vaga de trainee numa multinacionalmontadora de veículos, em São Bernardo do Campo. Quatro mesesdepois, seu chefe lhe passou uma proposta para fazer curso deaperfeiçoamento em inglês, por seis meses, no exterior. A empresapagaria tudo para ele. Parecia que seu momento havia chegado.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Com tudo acertado, Eduardo foi tirar o visto deestudante e o passaporte. Ele iria morar em Londres, num alojamentocom mais três estudantes. Chegou o dia, e ele foi com seus pais atéo Aeroporto Internacional de Guarulhos. Antes de ele entrar na áreainternacional, seus pais abraçaram-se com ele emocionadamente eEduardo prometeu que voltaria ao Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Enquanto aguardava a chamada do voo, Eduardo ficouobservando alguns equipamentos eletrônicos no Duty Free Shop, e logoem seguida foi até uma cafeteria. Lá ele sentou a uma mesa ao ladode uma moça, que tomava um capuccino enquanto navegava na Internet,em seu laptop. Tinha ela longos cabelos ruivos, vestia um casacopreto sobre uma blusa grená e cingido por uma echarpe, uma saiaxadrez, meias-calças pretas e botas de cano longo indo até poucoabaixo dos joelhos. Eduardo estava indeciso se voltava ao Duty FreeShop ou se permanecia devorando com os olhos a elegante moça. Adúvida cessou quando ela decidiu puxar assunto com ele, já queestavam somente os dois na cafeteria:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Bom dia, por favor... você saberia me informar se o voo da British Airways para Londres está confirmado para as 10h30?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eu estava precisamente indo agora checar essa informação. A senhorita vai a Londres também?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eu vou. Sou estudante de psicologia e tranquei a faculdade para fazer intercâmbio, por seis meses.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Estamos em situação parecida. Sou formado em Engenharia de Produção, e também vou passar uma temporada por lá, para adquirir proficiência. Como é seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Isabel, prazer. E o seu?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eduardo. Eduardo Rantanen.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo sempre fazia questão de citar seusobrenome pronunciando-o com sotaque finlandês: era “Rántanen”,com “r” trinado e todas as vogais abertas e orais, e não“Rantânen” como ele estava acostumado a ouvir dos outros queliam seu nome. E ambos começaram a conversar. O mais surpreendente éque o local marcado para o voo de ambos era na mesma fileira, de modoque puderam conversar durante toda a viagem. Ambos descobriram muitascoisas um sobre o outro. Isabel estudava na PUC-SP, era catarinensede Pomerode, neta de imigrantes do sul da Alemanha, tanto pelo ladomaterno quanto pelo lado paterno, mas desde os sete anos morava emSão Paulo, no Tatuapé. Dizia-se católica não-praticante e gostavade ler autores ligados ao esoterismo, como Eliphas Levi, MauriceNicoll e Max Heindel. Era vegetariana. E como Eduardo, adorava músicaclássica e obras de arte.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A conversa entre ambos se estendeu durante as dozehoras e meia de voo entre São Paulo e Londres, e daí em dianteacabaram travando uma sólida amizade. Sentiam-se ambos atraídos umpelo outro, mas não falavam um ao outro sobre isso. Eduardo não seesquecera totalmente de Larissa ainda, e Isabel também passou por umrelacionamento infeliz, do qual havia saído relativamente poucotempo atrás.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Durante três meses, ambos se encontravam aosfinais de semana, e mesmo no meio da semana. Jantavam juntos noConvent Garden, caminhavam no domingo de manhã pelo Hyde Park, emuitas vezes assistiam a concertos. Depois desse período, tiveramuma folga de quinze dias. Eduardo, então, propôs que tomassem otrem para conhecerem outras cidades da Europa. Isabel queria conhecerViena, e Eduardo queria conhecer Paris. Assim, decidiram ir para asduas cidades. Primeiro Paris, que estava mais perto. Depois, Viena.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Em Paris, Eduardo quis logo visitar a Montmartre eo Museu do Louvre. Era um sonho que ele tinha desde criança, quandojá gostava de artes visuais. E sabia detalhe por detalhe sobre cadaquadro, cada escultura, e cada artista. Conhecia de cor a vida decada um deles. Lá estava ele, enfim, na Paris de Degas, Cézanne,Rénoir... e Isabel também conhecia algumas coisas, mas o quedominava mesmo era a música, mesmo porque estudou piano por noveanos. Ambos aprenderam muito, um com o outro. Eduardo, sobre música.Isabel, sobre artes plásticas.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Quatro dias depois após as andanças por Paris,tomaram o trem para Viena. Isabel falava alemão fluentemente e porisso mesmo ela se sentia totalmente à vontade na capital austríaca.Logo no dia seguinte, fizeram vários passeios por pontos turísticosda cidade, como o palácio de Schönbrunn e a Rathaus, e no final dodia Isabel decidiu passar no Wiener Staatsoper, para pegar aprogramação da semana. Estava em cartaz uma récita da óperaTannhäuser, de Richard Wagner. Eduardo conhecia algumas áriasfamosas, mas nada sabia sobre a história. Então, ambos compraram asentradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;No decorrer da ópera, Eduardo acompanhava ahistória e se identificava em alguns pontos com a personagemprincipal. Tratava-se de um menestrel alemão que fora seduzido peloamor carnal de Vênus, ao mesmo tempo em que tinha também o amorespiritual de Elisabeth. Arrependido, peregrinou até Roma para obtero perdão dos pecados pelo papa, mas o papa lhe respondeu que, porele ter se associado com os demônios, era mais fácil o cajado queele segurava florescer do que conseguir o perdão dos pecados.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;Fecha o pano do segundo ato. Sem se dar conta,observa que suas mãos estava com os dedos entrelaçados aos deIsabel. Ambos se olharam e sorriram um para o outro. Isabel disse aele: “até o fim da ópera, você vai entender o motivo de você eTannhäuser serem tão parecidos”.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Abre-se o pano para o terceiro ato, e surgem osperegrinos cantando seu coro de redenção. Elisabeth procura porTannhäuser, mas ele não está lá. Surge pouco depois maldizendo aigreja e contando a saga para seu amigo Wolfram von Eschenbach. Disseque os pecados não foram perdoados, e decide ir de vez para acaverna de Vênus, quando Wolfram conta que Elisabeth intercedeu porele: ela mesma subiu aos céus e rogou diante do próprio trono deDeus para que Tannhäuser tivesse seus pecados perdoados. Eis quesurgem os peregrinos anunciando um milagre: o cajado do papafloresceu, indicando que um pecador foi perdoado. A salvação queTannhäuser não conseguiu na Terra, conseguiu do Céu, através dopedido feito por Elisabeth diante do próprio Deus. Ouviu-se, então,o coro final de ação de graças. Fecha-se o pano, sob os calorososaplausos da plateia.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo estava emocionado. Isabel também. Nasaída do teatro, Eduardo contou a Isabel que teve uma Vênus em suavida: era Larissa. Mas ele estava ansioso ainda pelo dia em que eleconheceria sua Elisabeth. Seguiu-se o diálogo:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eduardo, pensei em você o tempo todo nessa ópera. Eu sei que você teve uma Vênus na sua vida. Foi providencial termos assistido a isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Mas eu não tive um final feliz como teve Tannhäuser. Larissa tirou minha virgindade e destruiu meu coração. Para um cristão como eu, isso é sinal de fraqueza. Temo que os meus pecados não sejam perdoados.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Até que você conheça sua Elisabeth.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; E quem é minha Elisabeth?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Olhe em volta, Eduardo. Muitas vezes ela está mais próxima do que você mesmo pode notar. A vida da gente é assim. A solução às vezes está debaixo dos nossos narizes.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Isabel... desde que eu rompi com a Larissa, nunca mais apareceu outra mulher na minha vida. E morro de medo que isso aconteça e eu me machuque novamente, porque as mulheres dizem que todos os homens não prestam. E da mesma maneira é muito difícil achar uma mulher que preste. Além disso não conheço mais outra mulher que possa se relacionar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Nenhuma? Tem certeza?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Ah, Isabel. No meu apartamento em Londres só há outros homens. Eles saem, conversam com outras mulheres, às vezes acontece até sexo casual entre eles, mas tudo é fogo de palha. Ninguém para se manter num relacionamento sólido.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Ah, entendo. Bom... se você não nota a existência de uma mulher decente para a sua vida, nada posso fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Realmente não tem mesmo, a não ser...&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; A não ser...?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Nesse momento, ambos se entreolharam. Eduardomorria de medo de declarar a Isabel que se sentia atraído por ela,mas não via outro momento que não fosse aquele. Era agora, ou nuncamais. Isabel sorria e esperava que Eduardo lhe dissesse alguma coisa.Mil coisas passavam pela cabeça de Eduardo naquele momento, sobre oque de pior poderia acontecer. Mas mesmo assim encheu-se de coragem:respirou fundo e aproximou seus lábios dos de Isabel, ao que Isabelrespondeu com um beijo profundo e apaixonado.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Você é a minha Elisabeth!&amp;nbsp;—&amp;nbsp;&amp;nbsp;disse-lhe Eduardo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eu sabia disso o tempo inteiro. Por isso eu trouxe você aqui. E para lembrá-lo: meu nome, Isabel, é variação de Elisabeth.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;E foi desta maneira, na porta da Ópera de Viena,que começou o romance entre ambos, que estava destinado a durar paraa vida inteira. Eduardo estava certo de que Isabel seria sua futuraesposa, e Isabel estava certa de que Eduardo seria seu futuro marido.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Antes do retorno a Londres, Isabel decidiu passarpela pequena cidade de Sigmaringen, no sul da Alemanha, de ondevieram seus avós. Ela ainda tinha parentes morando lá e foivisitá-los, já apresentando Eduardo como namorado. Passaram-se maistrês meses e ambos permaneceram juntos, até a data de retorno a SãoPaulo, quando então Eduardo conheceu Klaus e Helga, os pais deIsabel, que viviam ainda no espaçoso sobrado do Tatuapé, e Isabelconheceu Marcelo, Brígida e Vívian. &lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A essa altura, Vívian estava já com um novonamorado, esquecendo-se definitivamente de Vanderkléberson. O novonamorado de Vívian chamava-se Dalmar. Era baiano de Vitória daConquista, negro de pele bem escura, estudava Economia na USP eestava morando numa república no Jaguaré, próximo da CidadeUniversitária. Tornou-se um amigo e confidente de Eduardo,especialmente quando descobriram o gosto em comum por jogoseletrônicos e softwares. Havia diferenças, mas nadairreconciliável: Eduardo usava Mac (e qualquer coisa que tivesse o logotipo de uma maçã mordida), enquanto Dalmar usava Linux.Eduardo era palmeirense e não ligava muito para futebol; Dalmar erasão-paulino e não perdia um jogo. Eduardo tinha uma posiçãopolítica mais social-democrata, já Dalmar era mais conservador edefendia o livre mercado. Mas ambos concordavam em zoar o Corinthianse os usuários de Windows.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Passaram-se dois anos. Corria o ano de 2009 eeclodiu a crise do subprime nos Estados Unidos, afetando as economiase os empregos de muita gente no mundo inteiro. Inclusive o deEduardo. Ele e Isabel faziam planos para o casamento, quenaturalmente teve de ser adiado devido à demissão – que, nofundo, Eduardo já estava prevendo que pudesse acontecer. Endividadoe sem ter para onde correr, pediu ajuda a seu pai para tentareminiciar um negócio próprio. Eduardo já tinha uma certa experiênciae achou que pudesse atuar como consultor. As contas chegavam e apobreza ameaçava o lar dos Rantanen. Algo precisava ser feito.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo tentava ao máximo permanecer otimista,mas as esperanças se esvaíram de vez quando Marcelo recebeu odiagnóstico de câncer no pulmão. Sim: seu pai, que era osustentáculo da casa, não podia mais trabalhar. O único dinheiroque entrava em casa era o do trabalho de Vívian, que fora aprovada num concurso para a Caixa Econômica, e maisuma ajuda financeira dos pais de Brígida. Muito pouco para manter opadrão de vida que tinham até então. Muitos cortes tiveram de serfeitos: cancelar a TV a cabo, reduzir a largura de banda da Internet,não mais almoçar fora nos finais de semana, entre outras coisas.Eduardo e Dalmar, juntos, começaram a pensar em outras alternativaspara ganhar dinheiro, mas tudo estava muito difícil; todas as coisaspareciam inviáveis. &lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Era uma tarde fria e chuvosa do mês de agosto, eMarcelo dava sinais de fadiga e mal estar. Eduardo teve de sair àspressas com Brígida até o hospital. A quimioterapia não estavadando resultado, e deteriorando ainda mais a saúde de Marcelo.Eduardo e Brígida já começavam a se preparar para o pior. Sentadosno quarto, Marcelo e Eduardo conversavam:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eduardo, você sempre foi um bom filho. Um exemplo. Nunca se esqueça de passar os valores de moral cristã para meus futuros netos, que não vou conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Não fale isso, pai! Os médicos estão tentando de tudo. Hoje a medicina está mais avançada; pacientes que outrora não tinham cura, hoje estão tendo uma boa taxa de sobrevivência. Não quero vê-lo falando em morte!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Filho... faz parte. Nós nascemos, crescemos, vivemos e morremos. E de alguma coisa sempre morremos. É a lei de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo estava desesperado. Do lado de fora,estava Brígida, uma vez que não se podia ter mais de uma pessoa nomesmo quarto. Brígida entrou, e viu Marcelo naquela condição. Aslágrimas começaram a sair de seus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Brígida, meu amor, não chore. Eu me vou agora, mas você terá netos. A crise há de passar, e Eduardo conseguirá um novo emprego.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Eduardo, não se vá! Tantos anos que estamos juntos, tantas qualidades que você tem, tantos talentos... Deus não pode tirá-lo de nós assim, de maneira tão besta!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Você me ama de verdade, Brígida.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Sim, Marcelo! Eu te amo!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Seguiu-se um silêncio glacial. Marcelo nãofalava. Brígida aguardava uma resposta. O monitor de batimentocardíaco desacelerava, e por fim deu um apito contínuo. Marceloestava morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo e Brígida tiveram de ser socorridos naporta da UTI. Entraram em estado de choque. Eduardo só gritava aplenos pulmões: “Pai! Pai!”, enquanto Brígida estava desmaiada.Nenhum dos dois sabia como dar a notícia para os demais familiares.Vívian teve de ser informada pelos médicos, por telefone, e saiucorrendo para o hospital. Quem acabou acalmando um pouco os Rantanenfoi Isabel, que fora informada por Vívian por telefone.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Isabel chegou ao hospital. Estava serena, sóoferecia o ombro a Eduardo, que não parava de chorar. Disse quetodos podiam contar com ajuda dela e de seus familiares, para o queprecisassem. E foi-se todo aquele processo de funeral. Como luteranosque eram, não mandaram rezar missa de sétimo dia, mas Isabel,católica, fez questão disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Começou toda a fase dolorosa. Eduardo aindaestava desempregado, e tinham de sentir todo o drama do primeironatal, do primeiro réveillon, da primeira páscoa, do primeiro diados pais – este, agravado pelo fato de Marcelo ter morrido umasemana depois do dia dos pais do ano anterior. Até que o telefone dacasa dos Rantanen tocou. Brígida atendeu:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Bom dia, poderia saber se o Eduardo se encontra?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Só um momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Brígida chamou Eduardo, que estava no computador.Eduardo atendeu o telefone.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Bom dia, Eduardo Rantânen?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; "Rántanen".&amp;nbsp;Eu mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Somos de uma consultoria de Recursos Humanos que presta serviço para o CREA, você está trabalhando no momento?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Não. Estou desempregado há quase dois anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Estamos aqui com seu currículo, vemos que você é formado em Engenharia de Produção na Mauá, tem uma experiência com sistemas de gestão de processos, estudou no exterior, e há uma vaga para um profissional exatamente com o seu perfil. Tem interesse?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Sim, claro! Como é essa vaga?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; É um operador logístico, localizado no Parque Novo Mundo, zona norte da cidade de São Paulo. O salário que eles oferecem é 4000 reais, mais vale refeição no valor de 450 reais, plano de saúde, plano odontológico, vale transporte e seguro de vida. Solicitamos que você compareça no endereço que enviaremos agora para o seu e-mail cadastrado amanhã, às 9h30 da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Está certo! Amanhã estarei lá!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Muito obrigado, tenha um bom dia, e desejamos-lhe sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo não acreditou. A oferta parecia boademais para ser verdade, havia muito tempo que não surgia umaproposta. E a que surge, já é tão boa assim. Mas Eduardo tentavaconter o otimismo, embora não conseguisse.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Participou então de todas as fases do processoaté o final, sendo aprovado em todas: dinâmica, entrevista com oRH, e por fim a entrevista com os diretores. Era a fase mais crítica.A resposta demorou uma longa semana até chegar. Foi quando tocou otelefone:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Bom dia, eu gostaria de falar com o Eduardo?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Ele mesmo. Pode falar.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; É para divulgar o resultado do processo seletivo. Parabéns, você foi aprovado, solicitamos que você venha retirar seu kit admissional na próxima segunda-feira às 14h, na nossa sede. Teremos imenso prazer em tê-lo na nossa equipe.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Está certo, estarei lá! Graças a Deus!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo não se continha de felicidade. Ligou logoem seguida para Isabel para contar a novidade. Depois foi correndoavisar Brígida. O tempo das vacas magras chegou ao fim. O futurocomeçou. Eduardo podia, então, retomar o plano de casamento comIsabel. Nasceria, então, uma nova família.  Todos os problemaspareciam ter se desvanecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Um mês depois, Eduardo começou a trabalhar.Adaptar-se à nova rotina foi um pouco difícil, mas ele todos osdias mantinha o otimismo, e tratou logo de marcar o casamento comIsabel, que aconteceu quatro meses depois. Sendo ambos de religiõesdiferentes, fizeram uma cerimônia laica, num sítio dos pais deIsabel localizado em São Luís do Paraitinga, no caminho de SãoPaulo para o Rio de Janeiro. Como não havia muitas economias parafazer grandes festas, a cerimônia foi simples, e eles passaram alua-de-mel em Gramado, na Serra Gaúcha. Em São Paulo, alugaram umapartamento na Água Rasa, bairro próximo ao Tatuapé, onde moravamos pais de Isabel.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Três meses depois, a notícia: Isabel estavagrávida. Exultante de felicidade, Eduardo tratou logo de contar anotícia a seus familiares, e organizaram uma festa de comemoraçãona casa dos pais de Isabel. Palpites haviam de tudo quanto era lado:se era menino ou menina, os nomes que eles iriam escolher... mas nadadisso eles pensaram ainda. Isabel só queria saber o sexo do bebê nahora do parto.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;E passaram-se os nove meses da gravidez, comIsabel cantando para seu futuro rebento, que em breve viria ao mundo,controlando sua dieta, enquanto Eduardo estava feliz no emprego.Enfim, chegou o período em que o bebê deveria nascer. Mas Isabelainda não sentia as contrações.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Tudo foi muito complicado. A ginecologista deIsabel disse que se em 72 horas não houvesse contrações, havia orisco de o feto morrer. Passou um dia. Passaram dois. Isabel eEduardo estavam em desespero. Foi quando decidiram correr para amaternidade, até que houvesse alguma notícia.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Foi feita uma ultrassonografia. O feto não estavaem posição ainda. Seria necessária uma cesariana. Isabel foiinternada. Klaus e Helga estavam fora, junto com Brígida, Vívian eDalmar, à espera de uma notícia sobre o estado de saúde de Isabel.De súbito, passava pela maca um corpo de uma mulher, coberto dos pésa cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eduardo logo pensou: “Isabel morreu. E perdeu acriança”.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Passam-se dez minutos. Não há notícias. Na salade parto, ouve-se o choro de uma criança. Era uma menina. O parto,enfim, fora realizado. Eduardo tornava-se pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Todos foram até a sala de parto ver o estadogeral de Isabel. Ela passava bem. E ficou feliz de saber que era mãede uma linda menina. Perguntou-lhe Brígida:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Mas vocês não pensaram em algum nome?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Pensamos em vários – respondeu Isabel.  - Mas eu já sei como ela vai se chamar.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; E que nome vocês vão dar?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Vai se chamar Renata. Ela estava correndo o risco de morrer, mas Deus me deu essa graça e ela renasceu. Ela é renascida. Em latim: “Renata”.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Corria o mês de outubro. O casal Eduardo e Isabelagora eram três. Nascia uma nova família. Um novo lar. Deus tirouMarcelo da vida dos Rantanen, mas colocou Renata. &lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Dois meses se passaram, e chegava a época denatal. Isabel e Eduardo trataram de decorar seu pequeno apartamentoda maneira mais densa possível, e decidiram fazer uma festa reunindoas duas famílias. Chega a véspera de natal, e todos sentam-se àmesa, rezando o Pai Nosso e agradecendo pelas bênçãos recebidas noano que termina. Trocam-se os presentes. À meia-noite, todos secumprimentam. Dalmar propõe de levar de volta a suas casas Vívian,Brígida, Klaus e Helga. Mais Renata, que vai no colo de Brígida,pois Eduardo e Isabel viajarão no dia seguinte para Punta del Este,onde passarão o final do ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;Com a casa vazia, Eduardo e Isabel preparam suasmalas. Chega a uma hora da manhã, momento que seria a meia-noite senão houvesse horário de verão. Isabel se recolhe e faz suaspráticas espirituais.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Ao terminar, vai para a sala, e encontra Eduardo –com cara triste.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; O que foi, meu amor? - pergunta Isabel.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Estamos tão felizes agora... vivendo um momento tão pleno, tão cheio de felicidade... mas todas as vezes em que minha vida pareceu feliz, sempre houve algo em seguida que me abalou.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Ah, meu amor... é assim que funciona a vida. Max Heindel diz em seus livros que Deus nos dá o sofrimento para crescermos. Quando passamos pelo sofrimento, tornamo-nos mais fortes. E sempre há uma compensação. A vida é sempre uma espiral. Volta ao ponto de origem, mas maior do que era antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; É verdade. Reparando bem, tudo na vida é circunstancial. Nada é definitivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Assim mesmo. E é esse o propósito da nossa vida. Adquirirmos experiência. E tornarmo-nos cada vez mais fortes, e seres humanos melhores. Feliz natal!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;—&amp;nbsp; Feliz natal!&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Esta história entrou por uma porta, saiu pelaoutra, e quem souber que conte outra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-4910957045720336273?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/4910957045720336273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=4910957045720336273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/4910957045720336273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/4910957045720336273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2011/11/as-espirais-da-vida.html' title='As Espirais da Vida'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-408212770580892256</id><published>2011-11-08T02:49:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T08:50:24.184-08:00</updated><title type='text'>Linux - Visão geral</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Se você chegou a esta página, é porque de alguma maneira se interessou pelo sistema operacional Linux. Seja para conhecer mais o sistema, para saber se deve ou não migrar do Windows ou do Mac, para saber que distribuição usar, ou até para achar algum argumento para falar bem ou mal do Linux em algum fórum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partimos do princípio que você sabe que o Linux é um sistema operacional, como é o Windows ou o Mac OS X. Porém, é importante frisar uma questão para a qual muitas pessoas não se atentam: o Linux é um sistema operacional no sentido de fazer a máquina funcionar, apenas, e não no sentido de apresentar um desktop completo. Isso porque é um sistema livre e aberto, e não é desenvolvido por uma única empresa ou pessoa. O código pode ser facilmente incorporado a outros sistemas de gerenciamento de programas, bibliotecas e interfaces gráficas, e várias empresas desenvolvem suas próprias distribuições. Algumas dessas empresas são amplamente conhecidas, como o Google e a Novell. Frequentemente, essas distribuições concorrem não somente com o Windows e o OS X, mas entre si próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Para quem o Linux é destinado:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Linux é um sistema de propósito geral e não tem propriamente um público-alvo, embora uma grande parte da base de usuários seja composta por entusiastas de tecnologia. Como os demais sistemas, pode ser a melhor alternativa para determinadas funcionalidades, como pode também não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira geral, podemos dizer que o Linux é a melhor opção (note-se que "melhor" não quer dizer "mais usada") para as seguintes funcionalidades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Desenvolvimento e programação.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Existe uma enorme quantidade de compiladores e bibliotecas, que rodam com muito mais eficiência no Linux do que em qualquer outro sistema.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Desktop.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Não é “mainstream”, mas nem o Windows, nem o OS X oferecem uma experiência de desktop tão rica e flexível quanto o Linux. Para quem usa com frequência a Internet e gerencia música, vídeos, imagens, textos e planilhas, de maneira amadora ou semiprofissional, o Linux apresenta, de longe, o melhor custo/benefício.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Banco de dados.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Os principais, como Oracle e MySQL, são desenvolvidos para Linux, e a natureza estável, enxuta, confiável e segura do Linux faz com que uma enorme quantidade de dados seja facilmente armazenada e prontamente recuperável, com ótima performance.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Computação móvel.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Uma grande maioria dos tablets e smartphones, com as notáveis exceções dos desenvolvidos pela Apple e pela RIM (desenvolvedora do Blackberry) usam Android, que nada mais é que uma distribuição do Linux.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Sistemas que requerem alta capacidade de processamento.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Os supercomputadores, em sua esmagadora maioria, rodam Linux. Assim como muitos sistemas de controle de tráfego aéreo e muitas bolsas de valores, incluindo a de Nova York e a de Londres.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Servidores.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Devido à estabilidade, segurança, leveza e suporte a grandes volumes de dados, muitas empresas de médio e grande porte usam Linux em seus servidores de rede. Todos os serviços do Google e muitos serviços populares de Internet como o Facebook funcionam a partir de computadores equipados com Linux.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Produção multimídia.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Vários estúdios cinematográficos como a Dreamworks e a Disney produzem seus filmes usando Linux. Além da existência de poderosas ferramentas nativas para produção desse tipo de conteúdo, como o Blender e o Cinelerra, há também ferramentas comerciais como o Autodesk Maya, para esse fim.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div&gt;Por outro lado, o Linux pode não ser a melhor opção para os seguintes tipos de usuários:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Profissionais de artes gráficas.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; embora haja no âmbito do Linux aplicativos muito bons para isso, entre os quais o GIMP e o Inkscape, não são usados por padrão no mercado. Muitas vezes as agências exigem que os trabalhos sejam entregues no formato do Photoshop ou do Illustrator – que não têm versão para Linux. Nesse caso, o mais indicado é investir num Mac.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;Usuários que precisam com frequência trocar documentos com outros usuários ou empresas que usam o Microsoft Office sem perda de formatação.&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;No âmbito do Linux, o pacote mais usado é o LibreOffice, que, embora seja em boa parte dos casos tecnicamente superior ao Microsoft Office e compatível com extensões como DOC, PPT e XLS, muitos usuários frequentemente reclamam que documentos produzidos no Microsoft Office e abertos no LibreOffice, ou vice-versa, aparecem com algumas falhas na formatação.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Pessoas que usam o computador especificamente para jogar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Muito embora haja uma boa oferta de jogos livres para Linux, quase todos os títulos do mercado profissional de jogos para PC são para Windows; eventualmente alguns também são portados para Mac. Entretanto, mesmo o Windows pode não ser a melhor opção para jogos, uma vez que consoles como o Nintendo Wii e o Xbox fornecem uma experiência em jogos muito superior a qualquer desktop.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Arquitetos e projetistas.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Isso porque o AutoCAD não é portado para Linux, e as alternativas existentes, como o QCad, têm comparativamente menos recursos.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Instalação&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Antes de instalar qualquer distribuição, recomenda-se ler a documentação no site, pois cada uma delas funciona de uma maneira diferente. Na maioria dos casos a instalação é fácil. A maioria reparticiona o disco automaticamente e permite a instalação lado a lado com o Windows ou o OS X, sem perda de dados, e detecta o hardware automaticamente (&lt;i&gt;plug and play&lt;/i&gt;). As distribuições mais voltadas para usuários técnicos exigem conhecimento do hardware e particionamento prévio (se vai usar junto com outro sistema).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de instalar programas, há diferenças muito grandes em relação ao Windows, e isso é um ponto para o qual chamamos à atenção. Usuários do Windows estão acostumados a procurar o programa no site do desenvolvedor, ou comprar um CD de instalação, geralmente com um arquivo SETUP.EXE e dar os comandos Next, Next, Finish. Isso não acontece no caso do Linux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pelo menos 80% dos casos a instalação de programas no Linux é mais simples que isso. Os programas, em sua grande maioria, já estão presentes nos repositórios das principais distribuições, e nesse caso basta usar a central de programas ou o utilitário de gerenciamento de pacotes para instalar ou desinstalar os programas, que automaticamente são baixados da Internet e instalados. Esse processo vai exigir a senha do usuário, definida na instalação do sistema. Quando o programa não está nos repositórios, basta baixar um arquivo de instalação (geralmente com a extensão DEB ou RPM, conforme a distribuição) e executá-lo com dois cliques, ou ainda um arquivo executável com a extensão BIN, que funciona de maneira mais ou menos parecida com os EXE do Windows. Nesse último caso, antes de executá-lo, é necessário modificar os atributos do arquivo para permitir a execução como um programa.Existem casos de programas de código aberto que são entregues nos pacotes com extensão TAR.GZ ou TAR.BZ2, que contêm somente o código-fonte do programa e outros arquivos usados para a execução. Atualmente é muito raro que um programa seja entregue somente desta maneira, embora tenha sido o método padrão de instalação nos primórdios do Linux. A forma de instalação desses pacotes pode variar, mas sempre requer o uso de comandos no terminal e pode demorar horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Segurança&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos mais fortes do Linux, talvez o mais forte de todos, é a segurança. Pelo fato de o código ser aberto e ter uma grande comunidade de desenvolvedores envolvidas, qualquer falha descoberta é rapidamente corrigida e liberada. E além de ser totalmente imune aos vírus que afetam o Windows, o sistema especial de permissões de escrita e leitura impede que alterações sejam feitas no sistema sem a permissão do usuário, bem como o fato de os softwares serem instalados a partir de repositórios certificados por cada distribuição, evitando assim a inclusão de programas maliciosos, não somente vírus mas também spywares e adwares - esses programas que ficam exibindo propagandas e adicionando barras nos navegadores. Também não há arquivos autoexecutáves; o usuário deve modificar os atributos do arquivo para permitir a execução. Existem anti-vírus para Linux, sendo o mais usado o ClamAV; porém, são usados principalmente para a remoção de vírus e spywares das partições do Windows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Distribuições&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dois mitos muito recorrentes quando se fala em Linux e que afastam muitos usuários é que o Linux é muito “difícil”, exigindo frequente uso da linha de comando (já foi verdade no passado, mas não é mais), e que o excesso de distribuições confunde os usuários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, há somente algumas poucas distribuições dignas de nota, e cada uma delas com um propósito muito bem definido. E é necessário que seja assim, uma vez que cada usuário tem um perfil diferente, e tem necessidades diferentes. A liberdade inerente ao Linux faz com que o sistema seja empacotado de maneira diferente por cada fornecedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faz uma distribuição ser diferente da outra é, principalmente, o sistema de gerenciamento de pacotes (programas e bibliotecas) e a periodicidade de atualização dos pacotes. Por isso que os programas não são desenvolvidos “para Linux”, mas para uma distribuição específica, ou família de distribuições, embora na imensa maioria dos casos os programas são compilados para todas as principais distribuições. O núcleo, entretanto – o Linux propriamente dito – é exatamente o mesmo em todas. Usa as mesmas chamadas de comando, suporta os mesmos sistemas de arquivo, suporta o mesmo hardware, e gerencia a memória do mesmo jeito, independentemente da distribuição. Por esse motivo, diz-se que é um sistema operacional com várias distribuições. O Linux, por esse motivo, é um caso particular entre os sistemas operacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas distribuições de Linux são pré-instaladas em computadores “populares”, sendo talvez o Satux, o Insigne e o Fenix as mais comuns. Recomendamos fortemente evitar essas distribuições. Muitas vezes os usuários se deparam com computadores nas lojas rodando essas distribuições, e veem uma interface que nada mais é além de uma cópia mal feita do Windows, sem contar que estão sempre mal configuradas. &amp;nbsp;Boa parte da impopularidade do Linux, pelo menos no caso do Brasil, se deve a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem mais de mil distribuições de Linux, porém vamos citar apenas as mais usadas, ou, por algum outro motivo, dignas de nota:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.debianbrasil.org/" target="_blank"&gt;Debian:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Pode-se dizer que é a distribuição padrão. É usada oficialmente como a distribuição do projeto GNU, de onde saiu a maior parte da contribuição para o universo Linux (por isso mesmo os envolvidos nesse projeto pedem que o sistema seja chamado de GNU/Linux). É também a que tem a maior quantidade de pacotes e programas, e a maior comunidade de usuários. A política do Debian é ser totalmente livre. Isso pode ser um problema para aqueles que têm computadores com placa de vídeo da Nvidia, que terão de fazer download do driver direto do site e instalar manualmente, para ter todos os efeitos gráficos. Boa parte das distribuições do Linux são derivadas do Debian. As principais são as seguintes:&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.ubuntu-br.org/" target="_blank"&gt;Ubuntu:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Desenvolvida pela empresa britância Canonical, foi por muito tempo a mais popular distribuição. Focada sobretudo em facilidade de uso e no usuário final, tem uma espécie de loja de programas, semelhante à AppStore da Apple. Tem um lançamento novo a cada seis meses, que pode ser atualizado em cima do sistema já existente, dispensando a necessidade de adquirir um novo CD a cada instalação. Todas as configurações do sistema podem ser feitas em modo gráfico. Tem algumas variantes oficiais, que diferem quanto à interface gráfica instalada por padrão: &lt;a href="http://www.kubuntu.org/" target="_blank"&gt;Kubuntu &lt;/a&gt;(com KDE, interface similar à do Windows); &lt;a href="http://lubuntu.net/" target="_blank"&gt;Lubuntu &lt;/a&gt;(com LXDE, interface para máquinas menos potentes) e &lt;a href="http://www.xubuntu.org/" target="_blank"&gt;Xubuntu &lt;/a&gt;(com a interface Xfce). A versão principal, o Ubuntu propriamente dito, roda a interface Unity, também desenvolvida pela Canonical, desde 2011.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.linuxmint.com.br/" target="_blank"&gt;Linux Mint:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;É atualmente a mais usada de todas as distribuições. Existe em duas versões: uma derivada do Ubuntu, com um lançamento a cada seis meses – diferenciando-se deste unicamente pela interface de usuário (uma versão customizada do GNOME) e maior quantidade de programas instalados por padrão, e outra derivada direta da versão de teste do Debian, que sempre terá os pacotes mais recentes e não tem ciclo de lançamentos. Uma das principais razões para a popularidade do Linux Mint é a semelhança com o Windows e a presença de conteúdo proprietário, como os codecs de reprodução de multimídia e o Flash Player na instalação principal, sem a necessidade de fazer instalações pelo CD.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.br.redhat.com/products/rhel/" target="_blank"&gt;Red Hat Enterprise Linux: &lt;/a&gt;&lt;/b&gt;Versão comercial, desenvolvida pela Red Hat. Tem um sistema próprio de gerenciamento de pacotes, usado pela maioria das distribuições que não são derivadas do Debian. Amplamente usada em servidores, tem os seguintes derivados principais:&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://centosbr.org/" target="_blank"&gt;CentOS:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Mantida por uma comunidade, tem exatamente as características do Red Hat Enterprise Linux, porém é gratuita e não tem suporte oficial. Pode ser uma opção para empresas de pequeno porte, que precisam economizar com licenças.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.projetofedora.org/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Fedora:&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; É mantida oficialmente pela Red Hat, e usada como versão de teste do Enterprise Linux. Em geral, a maioria das inovações relacionadas ao Linux aparecem primeiro no Fedora. As implementações usadas no Fedora são posteriormente aproveitadas no Enterprise Linux.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.suse.com/pt-br/" target="_blank"&gt;SuSE Linux Enterprise:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Desenvolvida pela Novell, é também uma distribuição comercial e tem o mesmo sistema de pacotes dos derivados do Red Hat, sendo uma concorrente direta do Red Hat Enterprise Linux. Tem como principal derivado:&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.opensuse.org/pt-br/" target="_blank"&gt;OpenSuSE:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Está para o SuSE como o Fedora está para o Red Hat. As inovações apresentadas no OpenSuSE são depois incorporadas na versão comercial. Também é mantida pela Novell. O OpenSuSE é compatível também com o Red Hat Enterprise Linux e com todos os seus derivados, inclusive o CentOS e o Fedora.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.mandriva.com/br/" target="_blank"&gt;Mandriva:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;É a mais profissional de todas as distribuições, e, do ponto de vista do usuário, pode-se dizer que é também a mais avançada, embora não seja a mais usada e não tão comprometida com a filosofia do software livre. Essa distribuição surgiu por meio da fusão da distribuição brasileira Conectiva e da francesa Mandrake (daí o nome "Mandriva"). Usa o mesmo sistema de pacotes do Red Hat e do SuSE, e costuma ser pré-instalada em alguns computadores que saem com o Linux de fábrica. Somente o KDE está disponível como interface padrão, mas as demais podem ser baixadas dos repositórios. Pode ser adquirida em quatro versões: &lt;i&gt;Mini&lt;/i&gt;, tendo somente o sistema básico, sem softwares adicionais; &lt;i&gt;One&lt;/i&gt;, contendo software livre mais drivers e plugins proprietários (como drivers de placas de vídeo e o Flash) e com vários softwares instalados "out of the box",&amp;nbsp;&lt;i&gt;Powerpack&lt;/i&gt;, versão paga com vários aplicativos comerciais incluídos, inclusive o CrossOver, que permite rodar alguns aplicativos do Windows como o Microsoft Office, e o Cedega, que permite rodar jogos para Windows, e &lt;i&gt;Enterprise Server&lt;/i&gt;, também paga e voltada para servidores e uso corporativo. Há ainda um serviço chamado &lt;i&gt;InstantOn, &lt;/i&gt;que permite um boot em 10 segundos, carregando somente o essencial para o funcionamento do sistema.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.slackware-brasil.com.br/web_site/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Slackware:&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; É uma distribuição voltada para usuários avançados. Distribuída e mantida pelo cientista da computação Patrick Volkerding, não tem ferramentas de configuração. Os pacotes são sempre estáveis e o usuário tem completo controle sobre o computador; nada do que está acontecendo é escondido do usuário. Por isso, é provavelmente a melhor distribuição para estudantes de computação, pois realmente permite conhecer a fundo o funcionamento da máquina. Há uma frase recorrente entre usuários de Linux: "Quem conhece Slackware, conhece Linux. Quem conhece Red Hat, conhece apenas o Red Hat".&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://archlinux-br.org/" target="_blank"&gt;ArchLinux:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Como o Slackware, é uma distribuição voltada para usuários avançados. Segue a filosofia do "rolling release": não há lançamentos do Arch Linux, os pacotes do sistema são sempre atualizados continuamente. Tem um sistema de gerenciamento de pacotes próprio, chamado PacMan, diferente dos sistemas usados pelas demais distribuições.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://gentoobr.org/" target="_blank"&gt;Gentoo:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; É na realidade uma meta-distribuição. Os programas são compilados no momento da instalação, e sempre são selecionados pelos próprios usuários, não vindo, portanto, com absolutamente nada pré-instalado. Assim como o Arch, tem seu próprio sistema de gerenciamento de pacotes, chamado Portage, e é "rolling release". A principal vantagem é que os programas rodam de maneira extremamente rápida, pois foram compilados especificamente para rodar na máquina do usuário. A desvantagem é a demora na instalação de cada programa, que pode levar horas. Tem como principais derivados:&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.sabayonbrasil.org/forum/index.php" target="_blank"&gt;Sabayon:&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; Totalmente compatível com o Gentoo, diferencia-se deste pelo fato de ter pacotes pré-compilados, acelerando em grande extensão a instalação de programas. Entretanto, tem total compatibilidade com o Gentoo, de modo que pacotes de um funcionam no outro, e vice-versa.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.librix.com.br/downloads/html/" target="_blank"&gt;Librix: &lt;/a&gt;&lt;/b&gt;Digna de nota mais por causa dos usuários brasileiros. É uma distribuição desenvolvida pela Itautec, otimizada para funcionar nos computadores da linha InfoWay. Embora seja baseada no Gentoo, dispensa a compilação de pacotes no momento da instalação, tal como o Sabayon.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.androidbrasil.com/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Android:&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; Desenvolvida pelo Google, é uma distribuição voltada para tablets e smartphones. É análoga ao Ubuntu em termos de ser focada em facilidade de uso e ter uma loja de softwares (o Android Market), mas não é derivada deste. Por usar um sistema de bibliotecas diferente, os aplicativos para Android não são compilados para outras distribuições, e vice-versa. O Android é a única distribuição “mainstream” que não usa bibliotecas do projeto GNU.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Fora essas, existem centenas de outras distribuições. Alguns exemplos: Knoppix, Resulinux, GoblinX, Caixa Mágica, Xandros, Mageia, BRLix, Pardus, e outras tantas, porém são em sua maioria simples remasterizações de outras distribuições maiores (geralmente o Debian) customizadas para um propósito específico, ou até mesmo alguns projetos de fundo de quintal, sem uma base significativa de usuários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Interfaces gráficas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o usuário interagir com o sistema, é necessário existir um sistema de interface gráfica – isto é: ícones, menus, pastas, janelas, etc. No caso do Windows e do Mac, o sistema já tem uma interface gráfica própria, que dá a “cara” do sistema. Já no caso do Linux, isso não ocorre. Há dezenas de interfaces que são compatíveis com o Linux, cada uma tendo sua característica diferente. Mas, como no caso das distribuições, só algumas poucas são dignas de nota. É importante lembrar que todas essas interfaces têm suporte nativo a temas. Além de mudar o papel de parede, pode-se mudar também o estilo dos controles e as decorações de janela (barra de título e botões de fechar, minimizar, etc.). Há sites como o &lt;a href="http://kde-look.org/"&gt;kde-look.org&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://gnome-look.org/"&gt;gnome-look.org&lt;/a&gt; com centenas de temas criados pelos próprios usuários para customizar a aparência, alguns inclusive imitando o estilo das janelas do Windows 7, do Windows XP ou do Mac OS X. É possível usar mais de uma interface gráfica no mesmo computador. Na tela de login, aparece sempre uma opção perguntando qual a interface que queremos usar; e, uma vez selecionada, aquela interface será definida como padrão para todas as sessões até decidirmos trocar. Ter duas ou mais interfaces na mesma máquina pode ser uma solução quando se compartilha a máquina com outros usuários e cada um gosta de ter o desktop de um jeito. As principais interfaces gráficas são:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;KDE:&lt;/b&gt; É uma interface muito parecida com o ambiente do Windows. Tem um botão que funciona da mesma maneira que o botão “Iniciar” do Windows, uma barra de tarefas na parte de baixo da tela (que, no entanto, pode ser movida para qualquer canto), e janelas com o mesmo layout. A maioria das distribuições inclui uma opção de download com o KDE como interface padrão. Quem é usuário do Windows praticamente não terá dificuldades em se adaptar a essa interface. O gerenciador de janelas do KDE tem suporte a uma grande variedade de efeitos gráficos de transparência e 3D. O KDE se diferencia dos demais ambientes gráficos pelo toolkit gráfico em que é escrito, o Qt, enquanto os demais usam o GTK+. Isso faz com que existam aplicativos destinados a rodar principalmente no KDE. Eventualmente pode haver inconsistências visuais entre aplicativos do KDE e de outras interfaces, mas isso pode ser facilmente contornado com personalizações de temas. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;GNOME-Shell:&lt;/b&gt; É uma interface totalmente original, que não se parece nem com o Windows, nem com o Mac; e provavelmente seja também a mais interessante de todas as interfaces do Linux. O modo de operação se assemelha muito ao dos tablets, com ícones grandes e uso de toda a janela pelo aplicativo; há apenas uma pequena barra no topo da janela com o botão "Atividades", o relógico e a bandeja do sistema. O botão "Atividades" é usado para abrir um painel com todas as janelas abertas e lançadores de aplicativos, e não precisa ser clicado; basta deslizar o mouse para o canto superior esquerdo da janela para acioná-lo.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Unity:&lt;/b&gt; É a interface instalada por padrão no Ubuntu, e exclusiva dessa distribuição. O Unity funciona mais ou menos da seguinte maneira: imagine que estamos entrando numa loja de DVDs atrás de uma gravação do André Rieu, ou de uma montagem de alguma ópera de Verdi. Aí, logo que entramos na loja, aparece um vendedor insistentemente querendo nos convencer a levar o DVD com o acústico do Luan Santana, sob o argumento de que é “o mais vendido”. Esse é o princípio do Unity: tentar adivinhar o que o usuário quer fazer baseado no que a maioria das pessoas fazem. O lado pior disso: esse “recurso” não tem como ser desabilitado. Isso pode até ser algo interessante para quem nunca viu um computador na vida, mas os usuários mais experientes costumam sentir um grande desconforto com essa interface, e esta foi a razão pela qual muitos dos antigos usuários do Ubuntu resolveram mudar de distribuição, apesar de ser perfeitamente possível usar outras interfaces em vez do Unity. Por outro lado, o Unity preza pela economia de espaço. Uma das coisas mais notáveis foi a fusão da barra de menus com a barra de título do aplicativo, e o lançador (ou “dock”) auto-ocultável na margem esquerda do monitor. Recentemente apareceram plugins que permitem o uso do dock também na parte de baixo, no estilo do Mac OS X.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;LXDE:&lt;/b&gt; Assim como o KDE, tem uma disposição parecida com a do Windows, porém sem efeitos de transparência e animação. Lembra um pouco o visual do Windows 95. É destinada a máquinas menos potentes, pois o LXDE consome poucos recursos. O ponto fraco é a ausência de um utilitário para editar as listas de aplicativos; isso tem que ser feito manualmente editando os atalhos em algum editor de texto, o que pode ser um problema para usuários comuns de desktop. Ou então, devem se conformar em manter um menu “Iniciar” bagunçado.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Xfce:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;É uma interface mais enxuta que o GNOME-Shell e o KDE, mas não tão minimalista quanto o LXDE. Na configuração-padrão, apresenta dois painéis: um na parte superior, que tem os botões “Aplicações”, que mostra a lista de aplicativos instalados, e “Locais”, que mostra a lista de pastas do usuário (Documentos, Fotos, Música, etc.), mais os atalhos colocados pelo usuário como ele quiser e a área de notificação, e um na parte inferior, que é a barra de tarefas. Esses painéis, entretanto, podem ser personalizados como o usuário quiser. Pode ser ideal para quem vai trabalhar com aplicações multimídia, pois permite que a maior parte dos recursos seja alocada para os programas, e não para os efeitos do desktop.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Tal como as distribuições, também existem dezenas de outras interfaces gráficas, como o WindowMaker, Fluxbox, Enlightenment, TWM, e várias outras; porém, têm um uso muito limitado e pouca utilidade prática. Podem ser experimentadas por quem quiser, mas servem mais como curiosidade; dificilmente alguém vai conseguir usá-las como interface padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Tipos de arquivo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos tipos de arquivos que circulam pela Internet – como HTML, JPG, PNG, GIF, PDF, AVI, MP3, WAV, etc; são comuns a todos os sistemas, inclusive ao Linux. Porém, há algumas extensões de aplicativos que são específicas ao Linux e não se encontram no Windows, por exemplo – e vice-versa. Algumas extensões exclusivas do Windows são: EXE, DLL, BAT e SYS. No Linux, as extensões de arquivo exclusivas são as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;.BIN&lt;/b&gt;: Arquivo binário. Grosso modo, equivale ao .EXE do Windows, porém não é automaticamente executável. Para isso, é necessário modificar os atributos permitindo a execução do arquivo como um programa. Mais adianta será explicado como fazer isso.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;.SH&lt;/b&gt;: Arquivo de lote, ou macros. São escritos na linguagem Shell Script e contêm um lote de comandos a serem executados em sequência. Funcionam como os arquivos .BAT do Windows; porém, o Shell Script tem muito mais comandos que os arquivos de lote do Windows, e permite até escrever pequenos aplicativos.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;.DEB&lt;/b&gt;: Pacote de instalação para o Debian e distribuições derivadas (Ubuntu, Mint, etc.). Nesse caso não é necessário fornecer permissão de executável; basta dar dois cliques no ícone do arquivo e aparecerá uma janela solicitando a senha de root, para dar permissão de instalação. Automaticamente serão baixados dos repositórios todos os demais pacotes necessários para a instalação. A senha de root é uma senha criada na instalação do sistema para ser utilizada quando se vai fazer alguma alteração dentro do sistema.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;.RPM&lt;/b&gt;: Pacote de instalação para o Red Hat, SuSE, Mandriva e derivados. Funciona da mesma maneira do pacote .DEB, mas é específico para essas distribuições.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;.TAR.GZ&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;.TAR.BZ2&lt;/b&gt;: Pasta compactada. Equivale ao .ZIP do Windows. Contém uma coleção de outros arquivos, ou eventualmente o código-fonte de algum programa mais os scripts de instalação. Alguns programas são empacotados desta maneira, mas instalá-los é muito difícil, pois as dependências devem ser resolvidas manualmente, uma por uma.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b style="font-size: x-large;"&gt;Estrutura de diretórios&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Windows usa uma estrutura herdada do MS-DOS, baseada em discos. Existe uma unidade A: para disquetes pequenos, uma unidade B: para disquetes grandes, uma unidade C: para disco rígido, as unidades D: e E: para CD e DVD, e as unidades de F: em diante para mídias removíveis ou pastas de rede. Todas essas unidades são tratadas de maneira igual e independente pelo sistema. Ainda existem os diretórios específicos “C:\Arquivos de Programas”, “C:\Documents and Settings” e “C:\Windows”, onde são em geral armazenadas as informações de programas, configurações e arquivos de sistema, mas isso não é uma regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no Linux, essa estrutura não existe. Tudo está concentrado no disco rígido, e as demais unidades, como dispositivos USB, CD-ROM, etc, são tratadas simplesmente como mídias externas. Não há unidades nem letras. Cada diretório tem um sistema específico de permissões de leitura e escrita, e uma lista de quais usuários podem ou não acessar esses diretórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diretórios setados pelo Linux são os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/&lt;/b&gt; - Diretório-raiz (root). Não armazena conteúdo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/bin&lt;/b&gt; – Comandos binários usados por todos os usuários.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/boot&lt;/b&gt; – Arquivos de boot.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/dev&lt;/b&gt; – Dispositivos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/etc&lt;/b&gt; – Arquivos de configuração específicos do computador.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/home&lt;/b&gt; – Pasta do usuário (equivale ao “Meus Documentos”).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/lib&lt;/b&gt; – Bibliotecas dos arquivos binários.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/media&lt;/b&gt; – Conteúdo de dispositivos USB, disquetes, CDs e DVDs.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/mnt&lt;/b&gt; – Conteúdo de partições de outros sistemas operacionais.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/opt&lt;/b&gt; – Pacotes estáticos de aplicações.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/proc&lt;/b&gt; – Arquivos de processos do sistema.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/root&lt;/b&gt; – Diretório “home” para o usuário administrador.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/sbin&lt;/b&gt; – Arquivos binários para administração do sistema.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/srv&lt;/b&gt; – Dados específicos servidos pelo sistema.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/tmp&lt;/b&gt; – Arquivos temporários&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/usr&lt;/b&gt; – Dados compartilhados pelos usuários.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/usr/bin&lt;/b&gt; – Arquivos executáveis de programas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/usr/share&lt;/b&gt; – Dados compartilhados pelos programas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/var&lt;/b&gt; – Arquivos variáveis.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Para escrever em todos esses diretórios é necessário usar a senha de administrador (root), exceto os subdiretórios de &lt;i&gt;/media&lt;/i&gt; (por exemplo: &lt;i&gt;/media/cdrom&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;/media/usb&lt;/i&gt;1), que contém os dispositivos removíveis, o diretório &lt;i&gt;/tmp&lt;/i&gt;, e o diretório de usuário. Porém, um usuário só pode acessar o seu próprio diretório, por exemplo: no diretório &lt;i&gt;/home/fulano&lt;/i&gt;, só o usuário “fulano” tem permissão de escrita, sendo inacessível para outros usuários como “sicrano” e “beltrano” – estes terão seus próprios diretórios: &lt;i&gt;/home/sicrano&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;/home/beltrano&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, não é necessário saber tudo isso para usar o Linux, uma vez que o gerenciador de arquivos, tal como no Windows Explorer, só vai mostrar as pastas com permissão de escrita, e mesmo assim com nomes mais “fáceis”, como “CD-ROM” (em vez de&lt;i&gt; /media/cdrom&lt;/i&gt;) e “Disco Removível” (em vez de &lt;i&gt;/media/usb&lt;/i&gt;), com um ícone do lado. As demais pastas só interessam para usuários avançados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Linha de comando&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não é necessária na maioria das distribuições, mas é bastante útil para se criar scripts para agilizar certas operações. Enquanto existem várias interfaces gráficas para Linux, em geral usa-se apenas uma interface de linha de comando: o Bash. Equivale mais ou menos ao ambiente de texto do MS-DOS (COMMAND.COM), porém, é muito mais poderoso e tem suporte a multitarefa. O prompt de comando, em vez do C:\&amp;gt; do MS-DOS, é geralmente &lt;b&gt;$usuário@nome_da_máquina:&lt;/b&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os comandos principais são os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;sudo:&lt;/b&gt; usado sempre na frente de outro comando, deve ser usado para informar ao sistema que o comando será executado no modo administrador; isto é, com permissões para mexer em todo o sistema. Uma vez que um comando tenha o sudo na frente, aparecerá uma linha solicitando a senha de root.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;apt-get install:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;baixa e instala um programa do repositório, nas distribuições derivadas do Debian.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;apt-get remove:&lt;/b&gt; desinstala um programa. Se entre remove e o nome do programa o usuário digitar o parâmetro –purge, os arquivos de configuração serão apagados do disco.&lt;br /&gt;Obs.: no Red Hat e derivados, em vez de apt-get usa-se &lt;b&gt;yum&lt;/b&gt;; no SuSE e derivados, usa-se &lt;b&gt;yast&lt;/b&gt;; no Arch Linux usa-se &lt;b&gt;pacman&lt;/b&gt;; no Gentoo usa-se &lt;b&gt;emerge&lt;/b&gt; e no Mandriva usa-se &lt;b&gt;urpmi&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;mkdir :&lt;/b&gt; cria um diretório (pasta).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;rmdir:&lt;/b&gt; apaga um diretório.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;chdir:&lt;/b&gt; muda para um diretório específico&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;rm:&lt;/b&gt; apaga um arquivo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;cp:&lt;/b&gt; copia um arquivo para outra pasta.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;mv:&lt;/b&gt; move um arquivo de uma pasta para outra.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;clear:&lt;/b&gt; limpa a tela&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;ls:&lt;/b&gt; mostra todos os diretórios&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;chmod +x :&lt;/b&gt; torna um arquivo executável.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;/.&lt;/b&gt;: executa um arquivo executável.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar que o Linux faz distinção de maiúsculas e minúsculas, por isso, é importante que todos os comandos sejam digitados em minúsculas, do contrário o sistema emitirá uma mensagem de erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Aplicativos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Primeiro de tudo: tudo o que se faz com o Windows pode-se fazer também com o Linux (e às vezes, até melhor). Mas os aplicativos para Windows não são portados para Linux, e nem sempre existe um equivalente exato. Pode acontecer frequentemente de mais de um programa ser necessário para conseguir um resultado que no Windows se utilizaria um único programa, e também de um único programa para Linux fazer o que seriam necessários vários programas no Windows.&lt;br /&gt;Os aplicativos mais usados para Linux são os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LibreOffice:&lt;/b&gt; Pacote de escritório contendo um processador de texto (Writer), um editor de apresentações (Impress), um editor de planilhas eletrônicas (Calc), um software para editoração eletrônica (Draw) e um sistema de base de dados relacionais (Base). Grosso modo, pode ser comparado ao Microsoft Office, com algumas vantagens e desvantagens – o Impress, por exemplo, tem menos efeitos de transição que o PowerPoint, mas por outro lado exporta nativamente para PDF e SWF. O LibreOffice pode exportar e abrir arquivos do Word, PowerPoint e Excel, mas, como já mencionado anteriormente, pode ter alguma quebra na formatação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;GIMP:&lt;/b&gt; Software de edição de imagens. Muito poderoso, e algumas vezes comparado ao PhotoShop, dispõe de uma enorme gama de filtros e recursos, que podem ser estendidos de maneira praticamente infinita, por meio de plug-ins. Há um plug-in de vídeo, que permite a produção de animações e efeitos 2D em vídeos, de maneira similar ao Adobe After Effects, podendo exportar para formatos como AVI e MPG. Por ser um programa de código aberto, não tem suporte à paleta Pantone – que é proprietária, e usada largamente na indústria gráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Inkscape:&lt;/b&gt; Software de edição de desenho vetorial. Semelhante ao Adobe Illustrator, usa o formato SVG como padrão. Esse formato é padrão para a Web e pode ser usado também para produzir animações e interatividade, de maneira semelhante ao SWF (Flash); porém, o Inkscape atualmente não tem recursos para esses efeitos, visto que é um software com foco em desenho artístico e mapas. No entanto, os arquivos SVG são em texto (XML), e tais recursos podem ser incorporados aos desenhos do Inkscape editando-os em um software de edição de texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Blender:&lt;/b&gt; Pacote de produção de conteúdo 3D. Pode ser usado para modelagem, para incluir transições e efeitos tridimensionais em vídeos, para criação de jogos e mesmo para CAD 3D. É uma ferramenta extremamente poderosa, porém exige uma certa curva de aprendizado, uma vez que a interface não é das mais intuitivas. Muitos dos filmes de animes produzidos no cinema são produzidos no Blender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Navegadores de Internet:&lt;/b&gt; Todos os navegadores principais do mercado, com exceção do Internet Explorer e do Safari, são portados para Linux. A maioria das distribuições usa o Firefox por padrão, mas muitos usuários preferem usar o Google Chrome ou o Opera. Alguns navegadores, como o Konqueror e o Midori, existem exclusivamente para Linux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;OpenShot:&lt;/b&gt; Software para edição de vídeo. Tem uma enorme gama de recursos, suporte para máscaras e efeitos de títulos e transições tanto em 2D quanto em 3D (para os quais requer o Blender instalado), e mesmo efeitos de áudio, assim como legendas. Possui um utilitário para upload direto para o YouTube. É um programa muito fácil e prático de usar, ideal para produtores amadores de vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cinelerra:&lt;/b&gt; Software para produção profissional de vídeo. Não é tão intuitivo como o OpenShot, mas possui uma gama de recursos destinada à manipulação minuciosa de vídeos, podendo de certa forma ser comparado ao Adobe Première ou mesmo ao FinalCut, embora não seja padrão de mercado. Não está no repositório de algumas distribuições importantes como o Ubuntu, tendo portanto de ser baixado do site do desenvolvedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MuseScore:&lt;/b&gt; Aplicativo para edição de partituras, destinado a compositores eruditos. É um equivalente próximo ao Finale e ao Sibelius, com a característica de ter uma wavetable própria que permite exportar o áudio diretamente para o formato MP3 (bem como MIDI), simulando os instrumentos musicais com perfeição. Dispõe ainda de um equalizador. A interface é muito fácil e intuitiva, e permite ainda a criação de atalhos para modificação de notas, acidentes e pausas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Banshee:&lt;/b&gt; É um gerenciador de músicas. Permite gerenciar vários dispositivos, entre eles o iPod, mas também qualquer dispositivo USB. Uma característica importante é o poderoso gerenciamento de álbuns de música e artes de capa sem que fiquem arquivos “fantasmas” no sistema, como acontece com o iTunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VLC Media Player:&lt;/b&gt; Reprodutor de vídeo, áudio e DVD. Embora não seja padrão na maioria das distribuições – é substituído pelo Totem ou pelo Dragon Player – é o reprodutor que tem melhor suporte para a maioria dos formatos. Recomenda-se fortemente instalá-lo como reprodutor padrão de mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DVDStyler:&lt;/b&gt; Programa para produção de DVDs. Permite selecionar os vídeos e montar menus. Não há, entretanto, suporte para títulos animados. É possível usar imagens animadas de fundo na forma de GIF animado, que podem ser geradas pelo GIMP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gedit:&lt;/b&gt; Editor de texto para programação. Não tem um equivalente para Windows; é utilizado para os programadores gerarem, editarem e depurarem códigos. Tem suporte para plugins focando diferentes linguagens de programação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;K3B:&lt;/b&gt; Aplicativo para gravação de CDs, tanto de áudio quanto de dados. Embora os CDs estejam gradualmente perdendo espaço para DVDs e MP3, ainda é possível usar esse programa com esse fim, como há o Nero e o Roxio CD Creator para Windows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Evolution:&lt;/b&gt; Pacote de groupware. Permite ler e escrever e-mails, gerenciar contatos e sincronizar agendas. Desenvolvido pela Novell, é pré-instalado em várias distribuições. Similar ao Lotus Notes e Microsoft Outlook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Audacity:&lt;/b&gt; Software para edição de faixas de áudio. Permite aparar, remixar e inserir efeitos, bem como eliminar ruídos. Também pode ser utilizado para manipular tags de arquivos MP3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também outros aplicativos não tão usados, mas igualmente dignos de nota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AbiWord:&lt;/b&gt; Processador rápido de texto (com suporte a formatação).&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gnumeric:&lt;/b&gt; Editor rápido de planilhas e gráficos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Brasero:&lt;/b&gt; Gravador de CDs&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Kate:&lt;/b&gt; Editor de texto avançado (semelhante ao Gedit)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Planner:&lt;/b&gt; Software de gerência de projetos (semelhante ao MS Project)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Amarok:&lt;/b&gt; Gerenciador de música, mais compatível com o KDE&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Exaile:&lt;/b&gt; Gerenciador leve de música&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mplayer:&lt;/b&gt; Reprodutor de vídeo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TiMidity++:&lt;/b&gt; Reprodutor de música MIDI e wavetable&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Rosegarden:&lt;/b&gt; Editor profissional de música e partituras (similar ao Cakewalk)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tomboy:&lt;/b&gt; Software de anotações, semelhante ao MS OneNote&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Liferea:&lt;/b&gt; Programa para leitura de feeds RSS&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Akregator:&lt;/b&gt; Outro programa para leitura de feeds RSS&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Kontact:&lt;/b&gt; Programa de groupware semelhante ao Evolution&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pan:&lt;/b&gt; Software para leitura e postagem em grupos de notícias Usenet&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Shotwell:&lt;/b&gt; Aplicativo para gerenciamento de fotos&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SciLab:&lt;/b&gt; Programa de gerenciamento de funções matemáticas&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dia:&lt;/b&gt; Editor de diagramas&lt;br /&gt;&lt;b&gt;QtiPlot:&lt;/b&gt; Pacote para cálculos estatísticos&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NetBeans:&lt;/b&gt; IDE para desenvolvimento rápido em Java&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BlueGriffon:&lt;/b&gt; Editor visual de páginas Web&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TinyERP:&lt;/b&gt; Sistema de ERP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente alguns desenvolvedores sentirão falta de uma IDE para produção de conteúdo em Flash. Existe o plugin para os browsers para exibir conteúdo em Flash normalmente, mas não se pode desenvolver esse tipo de conteúdo dentro do Linux. Para se criar animações multimídia com interatividade para a Web no Linux, é necessário recorrer a outros padrões de funções semelhantes e baseados em comandos de texto, como o jQuery e o SVG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Jogos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o ponto fraco do Linux são os jogos. E, realmente, os títulos de produtoras como a SEGA e a Activision não são portados para Linux – muito embora somos enfáticos em dizer que os melhores dispositivos para diversão eletrônica não são os computadores, e sim os consoles. No entanto, existe uma boa quantidade de jogos para Linux. Alguns são jogos muito casuais e que só servem mesmo para passar o tempo, como Tetris, Paciência, Campo Minado, e outros. Mas há também jogos mais interessantes, como MMORPGs, jogos de tiro e jogos de corrida. Não vamos aqui falar sobre os jogos para Android porque se trata de uma distribuição específica para dispositivos móveis. Pode-se dizer que o Linux é mais interessante para desenvolver os próprios jogos (o que também não deixa de ser uma forma de diversão) do que jogar os que já são existentes. Os jogos mais populares são os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;OpenArena:&lt;/b&gt; Inspirado no Quake, é um jogo de tiro em primeira pessoa. Não conta uma história; ou melhor, o jogo pode ser reempacotado com as próprias personagens e armas produzidas pelo jogador, e ele mesmo cria um enredo. Existem milhares de fases, muitas das quais podem ser baixadas pela Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SuperTux:&lt;/b&gt; Jogo de plataforma, parecido com o SuperMario, tendo o Tux – o pinguim mascote do Linux – como personagem principal. Há um único mundo como padrão, mas pode-se conseguir pacotes com outros mundos, ou até desenvolver os próprios mundos. Há um kit de desenvolvimento destinado a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TORCS:&lt;/b&gt; Jogo de corrida em 3D. Tem várias fases e carros, e da mesma maneira pode-se adquirir um kit de desenvolvimento para criar os próprios carros e pistas, ou editar as já existentes, tanto no traçado quanto na ambientação (deserto, neve, cidade, floresta, etc.). Algumas fases são construídas em cima de circuitos existentes, como o de Monza e o de Suzuka. Pode ter alguns problemas para todar em placas ATI, embora esse bug já esteja sendo corrigido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SuperTuxKart:&lt;/b&gt; Outro jogo do Tux, este inspirado no SuperMarioKart. Tem várias pistas e é possível divertir-se atirando objetos em outros concorrentes – que, no caso, são mascotes de outros projetos de código aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;RoadFighter:&lt;/b&gt; Jogo clássico de corrida em 2D, muito popular na década de 80 no MSX e reeditado para outros consoles, como o Super Nintendo. São seis fases em que os carros disputam contra oponentes, tendo o cuidado para não bater, sob o risco de perder combustível e não conseguir completar a fase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Doom/Heretic/Hexen:&lt;/b&gt; Jogos clássicos produzidos pela ID Software na década de 90; tiveram o código da engine aberta e por isso esses jogos são talvez os maiores sucessos portados para Linux. Para quem não conhece, Doom é um jogo de tiro em primeira pessoa que conta a história de um fuzileiro espacial que foi combater criaturas do inferno em Marte. Heretic é um jogo no mesmo estilo, mas em um ambiente mágico-medieval, contando a história de um cavaleiro que se rebelou contra a opressão de um mago negro e seu exército de demônios e zumbis. Hexen é uma continuação do Heretic, um pouco mais no estilo RPG. Para jogá-los, é necessário ter o CD original e baixar o utilitário &lt;a href="http://dengine.net/" target="_blank"&gt;Doomsday Engine&lt;/a&gt;. Note-se, entretanto, que esse utilitário só é compilado para o Debian e seus derivados (Ubuntu, Mint, etc.) e para o Gentoo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sonic:&lt;/b&gt; Todas as versões do jogo do popular porco-espinho da Sega lançados para o Mega Drive, bem como o SonicCD, podem ser jogados por meio de um emulador chamado Gens/GS, disponível nos repositórios da maioria das distribuições. As ROMs devem ser adquiridas à parte, uma vez que, por conta de direitos autorais, não podem ser distribuídas no Linux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Aplicativos para Windows&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por definição, os aplicativos escritos para Windows não funcionam no Linux, e vice-versa. No entanto, existe uma camada de compatibilidade, chamada Wine, que traduz as chamadas de sistema do Windows para o Linux, o que permite instalar e rodar alguns aplicativos escritos para Windows. Aplicativos mais recentes em geral não funcionam, ou funcionam com muitos bugs, mas aplicativos e jogos mais antigos em geral funcionam razoavelmente bem, o que pode ser uma vantagem, uma vez que esses jogos e aplicativos muitas vezes também são incompatíveis com versões mais recentes do Windows. Há ainda uma camada de compatibilidade comercial (com licenças vendidas por 70 dólares) que fornece compatibilidade avançada e suporte para aplicativos populares do Windows, como versões mais antigas do Microsoft Office e do Photoshop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;História do Linux&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o Linux não foi criado para ser um concorrente do Windows. Existe um sistema com esse propósito que está em desenvolvimento, chama-se ReactOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem do Linux remonta ao Unix, um sistema operacional desenvolvido pelos programadores estadunidenses Dennis Ritchie e Ken Thompson, como uma versão simplificada do Multics, um sistema desenvolvido conjuntamente pelo MIT, pela General Electric e pela AT&amp;amp;T destinado a servir grandes sistemas computacionais. O Unix foi o primeiro sistema operacional da era moderna, e vários sistemas derivaram do Unix, entre os quais o BSD, o Solaris e, em tempos mais recentes, o OS X da Apple.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da década de 80, questões relacionadas a direitos de propriedade intelectual do Unix levaram ao programador estadunidense Richard Stallman a iniciar um projeto de um sistema operacional livre, que pudesse ser copiado e redistribuído irrestritamente. Esse sistema deveria ser compatível com o Unix e funcionar da mesma maneira, porém com um código-fonte totalmente original. O sistema recebeu o nome de GNU, que é uma sigla recursiva para "GNU is Not Unix" (GNU não é Unix).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no final da década, todos os principais componentes para dar funcionalidade ao GNU estavam prontos, mas faltava o kernel - o sistema operacional propriamente dito. Foi iniciado o desenvolvimento de um kernel chamado GNU Hurd, que até hoje ainda não publicou uma versão estável. Para levantar patrocínio para o projeto, foi criada a FSF - Free Software Fundation (Fundação para o Software Livre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1991, o estudante finlandês de ciência da computação Linus Torvalds começou o projeto do kernel que hoje conhecemos como Linux, também baseado no Unix (o nome Linux é um &lt;i&gt;portmanteau &lt;/i&gt;de "Linus" e "Unix"), e fez isso de maneira totalmente amadora, como um hobby. Torvalds divulgou a primeira versão do Linux gratuitamente, solicitando contribuições de outros programadores, que deveriam também liberar o código gratuitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FSF notou que o Linux poderia usar todas as demais peças do GNU - e por isso até hoje eles solicitam que as distribuições sejam chamadas de GNU/Linux. Foi criada assim a primeira distribuição combinando o Linux mais os componentes do GNU, em 1992, pelo engenheiro canadense Peter MacDonald; tratava-se do SLS Linux. Era ainda uma distribuição cheia de bugs, e foi posteriormente refeita por Patrick Volkerding, sob o nome de Slackware. Essa distribuição está ainda ativa e é, dessa maneira, a mais antiga distribuição com suporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira distribuição a ser largamente mantida por uma comunidade foi o Debian. Foi também uma tentativa de corrigir os bugs do SLS Linux e também foi a primeira a desenvolver um sistema de pacotes pré-compilados. A comunidade de desenvolvedores cresceu amplamente. Pelo fato de o sistema ser aberto, outras comunidades foram também desenvolvendo suas próprias distribuições, algumas com base no Debian, outras de maneira independente, como foi a Red Hat. O fato de algumas dessas comunidades criarem seus próprios sistemas de pacotes, em vez do que já existia no Debian, acabou gerando incompatibilidade binária entre as diferentes distribuições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na década de 2000, o Linux cresceu rapidamente em popularidade em servidores e aplicações críticas, porém não se consolidou no desktop, devido à falta de aplicações, falta de suporte a formatos de arquivos populares na época e incontestável domínio do Windows. Para tentar aproximar o Linux do usuário do desktop, foi desenvolvida a distribuição Ubuntu, a partir do Debian, pelo milionário sul-africano Mark Shuttleworth (que foi também o único turista espacial nascido na África até hoje). Foi criada a empresa Canonical, para dar suporte financeiro ao Ubuntu. Rapidamente, o Ubuntu se tornou a distribuição mais usada do Linux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que o Linux tornou-se pronto para o desktop, em condições de concorrer em nível de igualdade com o Windows e o OS X, no segundo semestre de 2008, com o lançamento da versão 8.10 do Ubuntu. Essa versão, que tinha o codinome de Intrepid Ibex, pela primeira vez apresentava suporte a todos os softwares necessários para uma experiência completa de desktop e plugins que renderizavam corretamente os elementos das páginas Web, inclusive (e principalmente) o Flash.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na computação móvel, o Linux já era adotado desde os primeiros smartphones, mas assumiu a liderança com a criação do Android, pelo Google, uma distribuição que não usa bibliotecas do GNU e é voltada especificamente para dispositivos móveis. Fora o Android, há também outras distribuições para sistemas móveis como o o MeeGo e o Maemo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, o Linux tem uma participação de mercado em torno dos 2% no desktop, 60% nos servidores e 50% nos dispositivos móveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-408212770580892256?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/408212770580892256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=408212770580892256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/408212770580892256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/408212770580892256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2011/11/linux-visao-geral.html' title='Linux - Visão geral'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-7730282586016626141</id><published>2008-05-17T15:11:00.001-07:00</published><updated>2010-09-21T10:05:23.188-07:00</updated><title type='text'>"Der Freischütz" em São Paulo</title><content type='html'>Demorou, mas aconteceu. Finalmente, quase dois séculos depois, tivemos a estréia da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Der Freischütz&lt;/span&gt; (em português, "O Franco Atirador"), de Carl Maria von Weber, em São Paulo. É uma ópera histórica, importante por ter inaugurado o Período Romântico e por ter fixado pela primeira vez a estética de uma escola musical tipicamente alemã, afastando-se da tradição italiana até então em voga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ópera narra a história de Max, um caçador considerado o melhor da floresta que fora prometido a Agathe, filha de Kuno, o mais velho dos caçadores, mas para obter a permissão para se casar com ela, ele deveria acertar um alvo em uma prova de tiro que acontecia anualmente. Max foi, então, seduzido por Kaspar, um outro caçador, que lhe apresentou algumas balas mágicas, que acertariam o alvo de qualquer maneira. Entretanto, Kaspar fizera um pacto com o diabo para consegui-las. Eram obtidas sete balas. Das sete balas, seis acertariam o alvo, mas a sétima pertencia ao diabo, que poderia direcioná-la para onde ele quisesse. Apaixonado e movido pelo desespero, Max acaba participando do ritual de enfeitiçamento das balas - sem saber que a sétima bala era a bala do diabo. Assim, no dia da prova de tiro, Max - que já gastara as outras seis balas - dispara contra um alvo e Agathe desmaia. Parece que o tiro a acertou. Mas Agathe está viva e o tiro na verdade havia acertado Kaspar. O feitiço se voltara contra o feiticeiro. Pressionado pelo príncipe Ottokar, que presidia a prova de tiro, Max confessa que caiu na lábia de Kaspar e é banido do reino. Mas a intervenção de um eremita, que era adorado como um Deus na aldeia - inclusive pelo príncipe - faz o príncipe recuar e Max passa a ser vigiado por um ano e, se permanecer na virtude, poderá se casar, enfim, com sua amada Agathe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estréia paulistana foi estrelada pelo veteranto tenor Rubens Medina interpretando Max, a soprano Taís Bandeira interpretando Agathe, a graciosa soprano Gabriela Rossi interpretando Ännchen (uma amiga de Agathe que, embora seja personagem secundário, tem uma algumas árias muito bonitas no segundo e no terceiro ato), o barítono Saulo Javan interperetando Kuno, o também barítono Amadeu Góis interpretando o príncipe Ottokar, o baixo Eduardo Abumrad interpretando o eremita, o ator Marcelo Palmares interpretando Samiel (o diabo) e o barítono José Jessé Vieira interpretando o caçador novato Killian, que aparece na cena de abertura da ópera. A regência e direção musical foi de João Maurício Galindo, a direção artística foi de Alexandre Tallingher, a direção de produção foi de Ângela Dória e a direção geral foi de Mauro Wrona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já assistira a duas montagens em vídeo desta ópera, ambas muito chinfrins. Eu tinha um duplo receio nesta noite: a maioria das montagens a que assisti no Teatro São Pedro eram muito simplórias e eu não tinha motivo algum para achar que com esta ópera seria diferente. Além disso, eu estava acompanhado da minha namorada, Maria Fernanda, que assistia a uma ópera pela primeira vez. Se a montagem fosse fraca, além de correr o risco de não poder mais contar com a presença dela quando fosse assistir a uma ópera, teria que aguentá-la zoando comigo para o resto da vida por causa do meu "mau gosto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estava enganado. Além da bela voz de todos os cantores, também os cenários e figurinos estavam impecáveis. Foi de um imenso bom gosto o jogo de luzes mostrando as estrelas em meio as árvores, na ária de Agathe do segundo ato, e foram impressionantes também os difíceis efeitos especiais com luzes e fumaças na cena em que Kaspar enfeitiça as balas. Até mesmo os detalhes mais específicos do cenário e dos figurinos, como a relva do piso, os chapéus emplumados típicos da Boêmia (onde a ação da ópera se passa), o traje das damas de honra de Agathe  - uma delas era a minha amiga Flávia Tunchel, bacharel em canto lírico pela Unesp - e a mobília da casa de Kuno foram muito bem cuidados. Os ecos sinistros da voz de Samiel também foram magnificamente bem trabalhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos, se São Paulo demorou quase dois séculos para receber esta ópera, ao menos a produção foi de primeira qualidade. E principalmente dá ânimo de notar que a maioria dos que participaram é gente jovem, um sinal de que a ópera também está começando a se firmar no gosto do brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-7730282586016626141?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/7730282586016626141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=7730282586016626141' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/7730282586016626141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/7730282586016626141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2008/05/der-freischtz-em-so-paulo.html' title='&quot;Der Freischütz&quot; em São Paulo'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-3199344745865763234</id><published>2007-07-22T12:39:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T09:39:36.602-07:00</updated><title type='text'>A cruz de cada homem</title><content type='html'>É fato notável que, desde os tempos mais remotos da humanidade, há três perguntas que persistem no inconsciente de cada um. São elas: "Quem somos nos?", "Por que vivemos?", "Para onde vamos?".&lt;br&gt;&lt;br&gt;Algumas pessoas, com razão, se revoltam com a injustiça da vida, que nega a alguns o que concede a outros. Sob o ângulo da cultura ocidental, isso costuma ser amplamente associado ao valor de dinheiro, que permite a alguns ter grandes propriedades e a outros passarem fome. Que faz com que alguns vivam na opulência, enquanto outros precisam de grandes esforços para manter uma família. Gottfried Leibniz, filósofo alemão, dizia que as atitudes do homem são sempre fruto de suas condições, eliminando o livre-arbítrio, e os acontecimentos do mundo moderno provaram precisamente o contrário, muito embora algumas pessoas como a polêmica jornalista Marilene Felinto, da revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caros Amigos&lt;/span&gt;, continuem a sustentar o determinismo, ao defender num artigo que o Champinha, assassino de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, teria agido desta forma simplesmente por pertencer a um estrato social supostamente "oprimido", o que justificaria o homicídio já que Liana pertenceria à classe "opressora".&lt;br&gt;&lt;br&gt;Há uma lei universal conhecida: não existe conseqüência sem causa. Todo ser humano é ao mesmo tempo agente e paciente na vida, e o meio em que vive nem sempre pode ser responsabilizado por certas atitudes. O senso de justiça de cada um de nós se revoltaria ao ver pessoas bondosas passarem por tantos sofrimentos na vida, enquanto a outras foram dados riqueza e poder, e fizeram mau uso disso. Por outro lado, há pessoas que passam por dificuldades na vida e mesmo assim têm má índole, enquanto há pessoas ricas e poderosas dispostas a atuar pelo bem dos seus semelhantes. Se Leibniz e Marilene Felinto estivessem certos, a doméstica Sirlei Dias de Carvalho jamais teria sido agredida pelos rapazes da Barra da Tijuca, e o papa Bento XVI teria se tornado um dos piores criminosos da humanidade. A condição em que o indivíduo nasceu não o torna nem mais nem menos virtuoso.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Em maior ou menor grau, quase todas as pessoas têm um tipo de sofrimento. Não é somente a opressão por um regime capitalista selvagem ou ditatorial que faz alguém ser infeliz, mas também existem outros tipos de sofrimentos infligidos ao ser humano, a saber:&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Doenças&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Desestrutura familiar&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Romance inviabilizado&lt;br&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Insatisfação profissional&lt;br&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Frustrações gerais&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Problemas psicológicos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Deficiência física ou mental&lt;br&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br&gt;Uma pessoa que tem alguma ordem de sofrimento, a menos que tenha tido um desenvolvimento espiritual excepcional, na maioria dos casos há de se lamentar pungentemente ao se deparar com outro indivíduo que não sofre dos mesmos males. Suponhamos como seria uma conversa entre um herdeiro de um grande patrimônio, com pai e mãe divorciados, casado com a moça mais bela do mundo, e que sofre de uma doença degenerativa e um auxiliar de pedreiro feio e solteiro, com uma saúde de ferro e morando com os pais, que vivem em plena harmonia. Muito provavelmente haveria só lamentações dos dois lados. O pedreiro poderia dizer: "você é feliz. É rico, bonito, tem uma bela esposa, e eu sou feio e pobre", e o herdeiro poderia retrucar: "de que me adianta ter tudo isso se sou doente e não tenho sossego na família?".&lt;br&gt;&lt;br&gt;São poucos os pensadores ao longo da história que se arriscaram a apresentar uma solução para esse tipo de contradição, tendo isso ficado mais para o campo da teologia. Muitas correntes cristãs e islâmicas dizem que todo homem passará por uma fase feliz e uma triste: os infelizes herdarão o reino dos céus, enquanto aqueles que tiveram tudo no mundo irão para o fogo do inferno, mas isso se torna uma impossibilidade, uma vez que ninguém é totalmente triste ou totalmente feliz, assim como ninguém é inteiramente bom ou inteiramente mau. Muitas religiões orientais afirmam que a existência humana implica no sofrimento, e o desenvolvimento da consciência por meio da retidão da atitude destituirá o homem do sofrimento.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Há uma certa categoria de pessoas, muito raras, que conseguem agir sempre dentro do bem e suportar todas as adversidades, de modo a não sofrerem ao perder um ente querido, não se abaterem com a doença, não se importar com os bens materiais, não se afligirem ao assumir um cargo fora ou aquém de suas qualificações profissionais, e ao mesmo tempo não vibrar com a felicidade e com a riqueza, e não se envaidecer do trabalho que faz ou mesmo de seus próprios méritos profissionais. É claro que não é possível afirmar isto com absoluta certeza, mas fica um questionamento: será que o destino de todo ser humano, no final de sua evolução, seria atingir o grau dessas pessoas? &lt;br&gt;&lt;br&gt;Max Heindel, eminente teólogo reencarnacionista dinamarquês, um dos grandes nomes do Cristianismo Esotérico, afirmava que, se somos provenientes todos de Deus, então temos as mesmas potencialidades d'Ele. Mas um poder não pode ser dado a uma pessoa sem que haja plena confiança nela. Uma pessoa desequilibrada emocionalmente jamais conseguiria exercer a medicina ou atuar como bombeiro. Jamais alguém poderia dar um objeto cortante na mão de uma criança, pois tal objeto poderia se tornar uma arma. Mas uma pessoa que aprendeu a ser equilibrada em todos os sentidos e a agir sempre dentro do bem, teria plenas condições para receber todo e qualquer tipo de poder - pois eles jamais fariam mau uso disso. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Uma coisa é fato: demorará ainda muito tempo até que os males que assolam as pessoas, tanto em âmbito individual quanto coletivo, terão um fim - se é que terão. Resta apenas saber se somos todos deuses em formação, ou Deus, admitindo que ele exista, é o ser mais injusto que existe.&lt;br&gt;&lt;div style="margin-left: 40px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-3199344745865763234?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/3199344745865763234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=3199344745865763234' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/3199344745865763234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/3199344745865763234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2007/07/cruz-de-cada-homem-fato-notvel-que.html' title='A cruz de cada homem'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-862029537998530781.post-236472384542287369</id><published>2006-12-12T15:52:00.000-08:00</published><updated>2010-09-21T09:40:05.536-07:00</updated><title type='text'>As estréias das óperas de 2006 em São Paulo</title><content type='html'>Depois de décadas desde que a ópera deixou de ser algo que fizesse parte do cotidiano cultural das pessoas, assim como o teatro e o cinema, parece que gradualmente volta à moda. Este ano tivemos várias estréias, das quais acompanhamos duas: "A Tempestade", de Ronaldo Miranda, e "Olga", de Jorge Antunes. São óperas muito diferentes, demonstrando que não existe mais uma única tendência e maneira de se escrever música. A música de vanguarda continua firme, mas nem todos os compositores seguem essa tendência, nem por isso são considerados ultrapassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A Tempestade" é uma ópera baseada na peça homônima de William Shakespeare. Estruturada em dois atos, lembra um pouco as óperas de Wagner no sentido de a música ter um fluxo contínuo e grande uso do leitmotiv. A linguagem é neotonal: as melodias são bonitas e às vezes até simples, entre as quais podem ser citadas algumas passagens de Ariel (personagem masculina, mas interpretada por uma mulher - no caso, a mezzo-soprano Regina Elena Mesquita) e o magnífico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tutti &lt;/span&gt;que encerra a ópera. Entretanto, há também vários trechos atonais, mas que não comprometem a percepção da música. Esses trechos são usados no lugar dos recitativos, fazendo com que a atenção do espectador se volte mais para a ação do que para a música. Outra característica é o fato de ter sido escrito para uma banda sinfônica, e não para uma orquestra completa. Assim, esta ópera pode ser definida como uma ópera bela e de melodias agradáveis, mas nem por isso menos moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já "Olga" é uma ópera completamente vanguardista, e que talvez nem pudesse ser chamada propriamente de ópera. O drama é a respeito da Olga Benário, a judia comunista que teve um filho com Luís Carlos Prestes e foi deportada para a Alemanha. É um tema bastante rico que poderia de fato dar uma boa ópera, mas Jorge Antunes preferiu se concentrar na vanguarda e transformou "Olga" apenas em uma peça de teatro com pouca música e alguns balés. A cena mais aplaudida, ironicamente, foi quando o coro cantou a Internacional Socialista - música que sequer foi escrita pelo autor. De resto, os recursos vocais dos intérpretes - e intérpretes bons, como Martha Herr, que interpretou o papel-título - foram subutilizados. Algo que consideramos de extremo mau gosto também foi o uso de algumas palavras chulas no meio da ópera; pode ter soado "engraçado" em algumas ocasiões, para quebrar o gelo da gravidade da ópera, mas muita gente certamente não gostou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, mostramos que o excesso de modernidade de uma certa forma já cansou o público. O artista pode ser moderno sem ser "radical", como foi Ronaldo Miranda, e é disso o que o público gosta. Muitos compositores colocam a culpa no público por sua música não ser apreciada, mas não deveriam: o público é a razão de ser do artista. Compositores pretensamente "grandes", como Stockhausen, são esquecidos pelo grande público enquanto o mais aclamado de todos atualmente é precisamente o polonês Krzysztof Penderecki, que abandonou a estética "inovadora" para seguir uma estética mais tradicional. E realmente ele disse uma frase que resume tudo o que vivemos na época atual, em termos de música: ser ousado é voltar ao passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/862029537998530781-236472384542287369?l=fabio-solda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabio-solda.blogspot.com/feeds/236472384542287369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=862029537998530781&amp;postID=236472384542287369' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/236472384542287369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/862029537998530781/posts/default/236472384542287369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabio-solda.blogspot.com/2006/12/as-estrias-das-peras-de-2006-em-so.html' title='As estréias das óperas de 2006 em São Paulo'/><author><name>Fábio Soldá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600861877523525190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
